DAU. Natasha

Necessidade de estômago forte diante de um dos maiores experimentos da história do cinema

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03 de novembro de 2020

Outro filme até mais infame na 44° Mostra de SP é “DAU.Natasha” dos russos Ilya Khrzhanovskiy e Jekaterina Oertel, porém oferecendo algumas recompensas talvez um pouco mais tentadoras para se pensar duas vezes antes de dar uma chance ou não.

Parte de um projeto ambicioso e controverso por si só, desenvolvido ao longo de dez anos, envolveu em torno de 400 voluntários que aceitaram viver “quarentenados” numa simulação do padrão de vida soviético do período entre Lenin e Stalin, de modo a gerar centenas de horas de gravação com profissionais misturados a não-atores que gerou mais de um filme, todos começando com o nome “DAU” (como o “Dau Degeneração”, também presente na Mostra de SP).

De fato, um esforço dramatúrgico louvável que gera algumas forças espontâneas da natureza, como a fotografia de Jurgen Jurges (que ganhou melhor contribuição artística na Berlinale) e a atuação de Natalia Berezhnaya, a qual transcende todo tipo de tortura psicológica e física infligida a ela e nos outros, que ela começa a reproduzir.

Porém, com tanto sadismo e movimentos cíclicos numa projeção que parece durar semanas, até a estética de looping esvazia a intenção da denúncia original e nos estagna no choque pelo choque… – sendo indicado apenas para os de estômago forte.