De Gravata e Unha Vermelha

Documentário de Mirian Chnaiderman traz à tona a polêmica das questões sexuais e de gênero

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12 de maio de 2015

Vencedor do Prêmio Félix de Melhor Documentário no Festival do Rio de 2014, o documentário nacional “De Gravata e Unha Vermelha” traz à tona um assunto que não poderia ser mais atual e polêmico: as questões sexuais, que abrangem transexualidade, identidade sexual e de gênero, e o preconceito e incompreensão sofridos ainda hoje. O estilista Dudu Bertholini, com seus elegantes e coloridos cafetans, é o âncora do filme e entrevista alguns dos participantes, além de também deixar registrado o seu depoimento para a câmera da diretora Miriam Chnaiderman.

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Laerte e Dudu Bertholini

O ponto alto do documentário é a desconstrução dos padrões e dos gêneros masculino e feminino.  Em “De Gravata e Unha Vermelha”, vemos de tudo: homens que se tornam mulheres, mulheres que se tornam homens, homens que se vestem e se mostram de maneiras não convencionais (crossdressing), que entram em contato com o seu lado feminino sem nenhuma vergonha e não deixam de ser homens por isso, o desejo ou não de realizar a cirurgia de mudança total de sexo – e tudo sem rótulos, pois não são necessários nem pretendidos. Entre as personalidades famosas, são entrevistados Rogéria, Laerte e Ney Matogrosso (os dois últimos com maior espaço), porém são nas entrevistas dos anônimos (alguns nem tão anônimos assim), como João Nery, Letícia Lanz, Johnny Luxo, Candy Mel, Walério Araújo e Bianca Exótica, que nos deparamos com os depoimentos mais interessantes e emocionantes. É aí que se encontra o maior erro do documentário: a falta de aprofundamento nas entrevistas dos não famosos, que parecem ter muito mais para compartilhar com o espectador, mas não possuem tempo de fazê-lo nos curtos 86 minutos de fita.

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Samantha Aguiar e Dudu Bertholini

Com seu “De Gravata e Unha Vermelha”, Chnaiderman, que se define como “uma psicanalista que faz cinema”, dá voz aos que sofrem preconceito e incompreensão por parte da sociedade por não se sujeitarem a convençõesna hora de construir a sua identidade. A todo momento, as dificuldades causadas pela falta de aceitação pelo outro são destacadas durante as declarações, já que a auto aceitação não é problema para a maioria. Como dizia Jean-Paul Sartre, “o inferno são os outros”, e é a discriminação desses outros que torna mais difícil a vida de quem decide fazer o que quer com o próprio corpo e a própria vida sem se importar com as regras sociais pré-estabelecidas. Em tempos em que o conservadorismo brasileiro parece ter regredido algumas décadas, a discussão proposta por Miriam Chnaiderman em seu mais recente projeto – que mais uma vez trata de um tema polêmico e de pessoas que vivem à margem da sociedade – é de extrema relevância.

  • Ney Matogrosso
  • Bayard (ex-Dzi-Croquete)
  • Rogéria
  • Tais Gomes
  • Bianca Exótica
  • Johnny Luxo
  • Laerte
  • Dudu Bertholini
  • Walério Araújo
  • Letícia Lanz e Miriam Chnaiderman
  • Ney Matogrosso e Dudu Bertholini
  • Eduardo Laurentino
  • Candy Mel e Dudu Bertholini
  • Dudu Bertholini, Walério Araújo e Miriam Chnaiderman
  • João Nery
  • Candy Mel, da Banda Uó
  • Samantha Aguiar e Dudu Bertholini
  • Laerte e Dudu Bertholini

 

De Gravata e Unha Vermelha

Brasil – 2014. 86 minutos.

Direção: Miriam Chnaiderman

Com: Dudu Bertholini, Laerte, Rogéria, Ney Matogrosso, João Nery, Johnny Luxo, Candy Mel, Letícia Lanz, Eduardo Laurino, Walério Araújo, Leo Moreira Sá, Bayard, Tais Gomes e Bianca Exótica.


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