Debate com Diretora e elenco de Ralé

Helena trabalha o ‘metamelodrama’. Não é mais ‘penso, logo existo’. É ‘desejo, logo sou’.

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07 de maio de 2016

(Fotos exclusivas por Nayana Sganzerla)

O Almanaque Virtual esteve presente num animado debate após sessão de pré estréia no Cine Jóia Copacabana do filme “Ralé” de Helena Ignez, com presença da própria e do elenco Ney Matogrosso, Simone Spoladore, Djin Sganzerla e Bárbara Vida, mediado pelo crítico de cinema colaborador do Almanaque Virtual Rodrigo Fonseca. Segundo a apresentação do crítico para o filme, ele resgata dois elementos que estão cada vez mais necessários: o Desejo e a Liberdade. Helena também introduz seu filme referenciando as palavras usadas pela Filósofa Márcia Tiburi em seu projeto “Degeneradas”, onde Ralé ‘é o que não é’, delicado, um sonho, uma colagem, para além do feminismo, hesitando entre realidade e o sonho dentro do filosófico. Sendo sobre o direito de ser feliz.

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Fotos exclusivas por Nayana Sganzerla

A primeira pergunta do mediador Rodrigo Fonseca é para Helena sobre como funciona sua opção de direção, afinal, já foi premiada com kikito de roteiro e crítica por “Canção de Baal” e teve muita experiência também advinda do teatro, então como usa essa bagagem para o cinema:
Helena sente que, mesmo aqui, vai e volta do teatro e é cinematográfica ao mesmo tempo. Afinal, começou com o Teatro e Cinema desde 1958, quando tinha apenas 18 anos, com Glauber Rocha, e fizeram o primeiro filme de ambos, juntos. Impossível fazer cinema sem teatro, senão seria o equivalente de fazer tudo sem a vida. É um sistema fechado com o ator, potencializando a sua verdade no cimema com o público. Legitimando uma comunicação direta.

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Fotos por Nayana Sganzerla

Helena relata ainda que quando começou havia a temeridade de que 18 anos na época era a idade máxima pra casar, e lá estava ela trabalhando, assumindo riscos. E era perigoso perder virgindade e não casar. Até hoje o teatro que adentrou em sua alma desde aquele período jamais saiu de si, tanto que volta e meia com as filhas se pega na cozinha “interpretando”, sem perceber, ao ponto de elas dizerem: “Pára de fazer teatro, mãe, não estamos no palco”. Nem percebe mais.
O mediador então pergunta como Helena constrói a luz no filme, pois o teatro usa luz como elemento cênico, mas cinema não existe sem luz:

Helena responde que ela própria já vê um próximo filme vendo de novo “Ralé”, e que a luz é o cinema e com isso é que faz as imagens. É por esse tipo de inspiração que possui três filmes engatilhados. Um é ficção, roteiro de Rogerio (Sganzerla), e que até já ganhou edital na SPCine, com ‘Cenas de carnaval’, e neste, por exemplo, a luz pode remeter à morte ao anticarnaval, à luz e o tempo, o tempo da imagem. Já “Ralé” tem ritmo mais quente, além, claro, de nos últimos três filmes ter contado com o poder dos afetos com Ney (Matogrosso).

Helena complementa que com direção de fotografia de Tony Nogueira, o qual também fez “O Abismo” do Rogerio, começou essas parcerias com esses incríveis profissionais desde a década de 70, quando estiveram exilados na Europa. Chegou até a pensar que queria fazer com outro fotógrafo, mas aí encontrou tudo o que precisava em Tony, como um fotógrafo da luz e da cor e do astral, um profissional com mais de 70 anos de idade e é jovial e um triatleta.

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Fotos por Nayana Sganzerla

O mediador dirige as perguntas agora para o elenco, e questiona sobre o Tempo e como é para o ator, o tempo do corpo e do gesto, qual espaço pra invenção improvisação ou liberdade no set é deixado por Helena?
Ney Matogrosso é o primeiro a responder que há sim um estrito roteiro a seguir, só que, dentro do que está proposto, Helena dá liberdade para você fazer como está sentindo. Por exemplo, na cena em que encontra o personagem de seu namorado em “Ralé”, ele vê o ator com tal brilho nos olhos que, então, precisava ter também o mesmo brilho para corresponder e não pediu à Helena antes quanto tempo deveria durar aquele beijo. A única coisa que a diretora havia pedido naquele momento era para não se abraçarem, por isso Ney apenas tocou de lado o personagem de seu namorado. Foi intuição fazendo pela 1a vez.
Helena aproveita e acrescenta falando do sentimento impressionante daquele beijo em cena, demonstrando uma entrega fantástica.
Já atuar para Djin Sganzerla sob a batuta de Helena, por ser filha, é diferente, uma relação ambígua, como sua Diretora e sua mãe, mas sempre profissional no set. Às vezes informava alterações no dia no set, e não podia mudar o texto, mas botar na sua própria embocadura. A cena da chuva, por exemplo, não existia. Mas Janeiro sempre chove em SP, e aconteceu, no que foram imediatamente filmar, de forma bem espontânea no meio da rua, o que oferece um espaço para o ator ter olhos na cena.

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Fotos por Nayana Sganzerla

O mediador Rodrigo Fonseca relembra que o filme “Ralé” ganha o circuito no ano em que perdemos dois símbolos do que seria o “trans” além da essência no corpo, Prince e David Bowie, e “Ralé” antecipa este debate no cinema. O áudio visual se rendeu muito tempo pro melodrama como sinal da burguesia, com representantes que souberam usar o gênero com excelência, claro, como Almodóvar e Wong kar wai, e agora Helena trabalha o ‘metamelodrama’. Não é mais ‘penso, logo existo’. É ‘desejo, logo sou’.

Helena reitera que é corpo e mente pro trabalho, tudo a serviço. O texto final, por exemplo, dizendo o q é ‘Ralé’, que a palavra como gênero significaria uma série de cenas desconexas sem coerência, como a filósofa Márcia Tiburi falou em seu texto supracitado. Foi daí que Helena partiu pra fazer seu filme, desta explicação. Mas o texto mesmo com esta explicação ironicamente só veio no final das filmagens, e a coincidência era tão grande em englobar tudo o que o filme queria dizer que Helena incluiu a cena em que a personagem de Djin o lê para a tela. E explica o que foi feito,
A atriz Barbara Vida acrescenta que já trabalhou com Helena, e que sente que o trabalho deste filme é muito sobre a vida e a liberdade. E trabalhar com Helena como diretora é uma afirmação à vida. Não tem ensaios prévios e sim conversas prévias. E, assim como todos os personagens que já fez marcaram sua vida, essa personagem “da vadia” em “Ralé” também a marcou profundamente, pois descobriu uma feminista em si mesma.

Aliás, as três atrizes ali presentes já fizeram praticamente todos os filmes de Helena, quiçá todos. Rodrigo Fonseca ressalta para a plateia que curiosamente a atriz Simone Spoladore já trabalhou em inúmeras estreias de cineastas nacionais, inclusive a própria Helena Ignez com “Canção de Baal”, e aproveita para perguntar como foi a sensação desta experiência:
Simone responde que começou com uma peça com Helena e viu os filmes dela com Sganzerla. Referência diária de como uma atriz também pode ser diretora, ponte de inspiração, como também apontou no último debate no Festival de Tiradentes onde o filme “Ralé” foi exibido da última vez. “Um confia no outro, ficam felizes e fazem cinema.” Têm até uma comunicação silenciosa e na hora H conseguem soluções conjuntas. E acrescenta que o cineasta Júlio Bressane disse que, em “Canção de Baal”, Helena Ignez havia feito algumas das mais belas cenas com mulheres.
Rodrigo Fonseca aproveita e pergunta mais uma vez para Ney Matogrosso se apesar de nos filmes ele também cantar além de atuar, como é ele não ser o Ney-performance, e sim o Ney-personagem. Como é o processo de construir, o quanto traz da carreira e de suas performances?

Ney corresponde que “Luz nas Trevas” era mais definido, não tinha muita margem. Era descrito como mal humorado, negativo, fechado, porque o personagem estava preso há anos. Já o ‘Barão’ de “Ralé” é o mais próximo do universo de Ney. Apesar de que algumas coisas assustam, como quando quis que ele acabasse cantando ‘Sangue Latino’ em “Luz nas Trevas” e acabou que a música era a síntese do personagem.

Noutro quesito, quando viu que “Ralé” iria abordar a ‘ayahuasca’ pensou: Polêmico. Mas o filme o faz de forma tão delicada e sensível, que realmente mostra que cada um é uma coisa diferente. Disse até que gosta desses riscos. Talvez ele refugasse se não fosse Helena o desafiar, talvez ele não fizesse a cena do casamento em “Ralé”, por exemplo. Ney por conta própria não tem vontade nenhuma de casar nem com homem nem com mulher. Um rapaz no Festival do Rio quando o filme foi exibido disse que era contra o casamento, como uma coisa aburguesada.
Mas Helena acrescenta que justamente por isso que inseriu um humor godardiano com o som do pum no meio da cena do casamento, juntando poesia e politica.
Rodrigo aproveita para perguntar algo mais complexo: O filme aborda questões nacionais, a ayahuasca, o xote, e entra no terreno do afeto e resvala em questões politicas como casamento gay, identidade trans etc, então como é trazer isso em um Brasil de Cunhas e Bolsonaros etc?
Helena cita como exemplo de resposta um relato de uma espectadora do filme durante o Festival de Tiradentes, onde esta mulher havia se mudado de cidade sem eira nem beira e a exibição do filme trouxe a ela muitas identificações. O filme tem potencial de mexer nesse Brasil ameaçado por esta situação política.
A próxima pergunta foi sobre a condição feminina do prazer e maternidade, já que disseram que mulher teria nascido pra ser cuidada, mas aí estipulam que a mulher precisa ter um órgão ao mesmo tempo pra reproduzir, mas também para o autoprazer. A escritora Simone de Beauvoir foi a 1a a falar sobre prazer feminino e identidade.
Ney diz que isto é justamente um poder anárquico e transgressor.

Helena complementa que sempre que citam “Copacabana Mon amour”, seu trabalho emblemático com o saudoso Sganzerla, tudo o que eles construíram no casamento, de construção artística conjunta, é tudo o contrário do que pensam de um casamento como sinônimo de Aprisionamento. Por essa significação toda especial que ele significa para Helena é que nem tem tempo de sentir saudade, de tão presente e essencial que ele permanece.
Isso é uma Força de encantamento, uma experiência vital 35 anos. Ele era uma pessoa tão iminentemente cinematográfica que fazia cinema com nada, só com o que via na sua frente. E estas simbologias são novas a cada dia. É um encantamento sem vontade nenhuma de Helena em copiá-lo. Seria um desastre. Aliás, já possui um novo filme: “A moça do Calendário”, um roteiro de Sganzerla, mas como Helena vai filmar sendo ela é oo que cria identidade. Presença é poesia, pois faz Helena viver, e dançar e fazer poesia.

 

Perguntado como o elenco via a possibilidade de atuações fora do padrão como a de “Ralé”, em um filme de linguagem mais ousada, influenciarem suas performances em projetos mais tradicionais, Simone Spoladore responde prontamente que com certeza atuar em filmes como “Ralé” oxigena para poder fazer qualquer outra coisa. É uma liberdade interior preservada pra fazer trabalho mais careta. Matéria de vida, alimentando o interior.
Ney ainda agrega que é algo além do texto, um prazer de falar aquelas coisas, de procurar mais liberdade. Um forro para os outros projetos. Leva oxigênio pras outras coisas. A maior criação é a própria vida.
E Helena diz que faz isso pra continuar esse caminho tão vasto e tortuoso ainda mais neste momento q estamos vivendo tormentoso.
Perguntada se além da citação à Bertolt Brecht no filme “Ralé”, se haveria outra referências como brasileiras por exemplo?
Helena diz que sim, com certeza há brasileiros também, como o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, uma força de referência. Ele é forte em descolonizar o imaginário. Além, claro, de cineastas homenageados como o pensamento de Rogério também, inclusive. Como o ‘filme dentro do filme’ em “Ralé”, chamado o “Exibicionista”, que era um roteiro dele.

Helena conheceu o trabalho de Brecht em 1956, ano em que ele faleceu. E viu a influência dele em sua vida a partir de 1957 na escola de teatro. O pensamento dele ajudou muita na sua formação.
Já num processo de roteiro, Helena explica que precisa às vezes de um pouco de distanciamento. Para “Ralé”, por exemplo, começou estudando muito a peça “Ralé” de Gorki e foi na estrutura dos personagens, rarefazendo o ‘Barão’ a ‘Nástia’ etc…..já personagens como a da Simone já é um outro momento do roteiro. De fato, Helena trouxe esta peça de volta justamente pro que andamos enfrentando no Brasil. Uma peça de 1900 falando da ralé social também cheia de vícios como álcool e roubo… Até chegar numa anti-ralé que nada mais são que os artistas….

 

Perguntada se há improviso no diálogo, Helena diz que não, nesta parte ele é todo escrito. Mas às vezes lhe advém como num sonho que teve, acordou 3h30 da madrugada e escreveu: a frase “Se alguém conhecesse um poeta para a velhice”, e a frase foi parar no filme.

Os atores são verdadeiros, há uma verdade interior muito grande. Mesmo que o projeto fosse careta, jamais diria que o ator quando é verdadeiro poderia estar sendo canastra.
Outro exemplo citado por Rodrigo Foonseca é o ator Ariclenes Barroso que anda num ótimo momento da carreira, pois ele quebra qualquer representação típica deste país. Como filho do Ney no filme “Ralé”, ele quis abraçar e beijar muito o pai, numa clara demonstração de Afeto. O que significou isso para as cenas?

Ney corresponde que aquele caso do pai e filho que iam ser espancados porque estavam abraçados veio para o filme.
Quanto à construção de uma trilha, sempre há um pensamento dela no roteiro, explica Helena. Terminou e acabou repensando sobre ela, e trouxe Guilherme Vaz pra remixar 2 gravações dos poemas que falam com a personagem Nástia de Djin. (“Sinfonia do fogo”). E de fato a trilha acabou sendo muito elogiada. Como Helena diz que música e dança são muito importantes pra ela, decidiu fazer uma dança num espaço diferente dos filmes anteriores, mais urbanos, e por isso pediu a remixagem para uma abordagem mais de aproximação da natureza. Tanto que inicialmente no roteiro a história era na Amazônia, mas sairia muito caro. Então acabou fazendo em Serrinha, na fazenda do diretor de arte. A própria Helena admite que se sente um bicho grilo, pois sente a vida dentro da natureza. Isso completa bastante visualmente o pensamento do Viveiros de Castro. Tanto que Helena já está em outro livro dele, “A Queda do Céu”, metafisica em diante.

 

Por falar em metafísica, conheceu o Santo Daime/ayahuasca nos anos 90, quando também conheceu Ney por aí, em 92 ou 93, numa cerimônia onde ambos estavam. E de fato é uma experiência visual muito brasileira. Está no Poder dos Afetos também. A ayahuasca também é protagonista de “Ralé”, mas ao mesmo tempo é só uma palavra sagrada a ser preservada. O que só deixa Helena mais maravilhada com o poder das ervas no Brasil.

Tudo isso traz à Helena um otimismo de que vamos sair dessa.
Rodrigo Fonseca aproveita e referencia outra obra sobre a ayahuasca, o filme “Império da Floresta” de André Sampaio e o livro de Alex Polari “Inventário de Cicatrizes”.
Quando perguntada se Helena em algum momento da carreira precisou dar uma parada, ela de imediato cita outro livro, o “Sociedade do Cansaço”, explicando que a negatividade do parar pode ser vista como positiva. Oxigena. Helena, por exemplo, parou por 15 anos. O que não impede de voltar, porque está dentro de si. Pesquisas como a que incluiu “Ralé” só foi possível porque parou um pouco e teve um afastamento de reflexão. Mudou seu mundo, inclusive em termos de iniciação religiosa. Viveu a realidade diversa com outras pessoas e maneiras de falar. Mas não existiria o “eu hoje” se não fosse isso. Estaria cansada da própria criatividade.
A plateia então aponta que “Ralé” é um filme extremamente necessário e que o Brasil precisa de Helena Ignez, com seu jeito despudorado de ver a arte, de quem conhece o cinema, e trabalha com espelhos, reflexos… Ao mesmo tempo, significa muito também que alguém que faz parte da Historia do Brasil, como Ney Matogrosso, parar a carreira musical momentaneamente para atuar, e pergunta-se o que precisa deixar pra trás pra criar um personagem histórico:
Ney diz que Helena o viu num teatro que estava fazendo. E ela o chamou para interpretar o Bandido da Luz Vermelha no “Luz nas Trevas”. Ele perguntou para ela na hora do convite: “O que você quer de mim?” – E ela respondeu: “Você todo. O que eu vi no palco e o você de fora”. Ney chega a corresponder para a plateia que é difícil mesmo. O Ney do palco precisa de algo pra aparecer. Já no filme, Helena pedia que mesmo criminoso ele continuasse sendo sexual, se expor, usando camisetinhas, ou mesmo nu lendo poemas, e ainda termina com cantando “Sangue Latino”. Mas não era o Ney-profissional. Já em “Ralé” Helena pediu mais próximo do artista, que canta em festinhas íntimas…

Mas Rodrigo faz questão de realçar que a carreira cinematográfica de Ney vai além. Tem Ana Carolina, Domingos de Oliveira, etc…

Mas Ney brinca que já teve de fazer personagem tão tenebroso que precisou tomar banho 3 dias pra sair o ebó (seu personagem na ocasião batia em mulher e morria paralítico).
“Sonho de valsa” de Ana Carolina, em 1984, foi seu primeiro trabalho como ator. Quando viu as primeiras projeções da própria atuação achou que seu olhar era assustado. Algo que achou não saber lidar na época. A segurança adquirida em “Luz nas Trevas” de Helena só veio depois. Já em “As Curvas do Rio Sujo”, um filme para o Felipe Bragança, Ney seria capanga do Cauã Reymond e amou. Mas mudou tudo e virou capanga do pai pra levar o Cauã pra ser assassinado. Ficou tristíssimo, lembra.
Voltando a falar de seu primeiro trabalho, “Sonho de Valsa”, seu personagem tinha relação incestuosa com irmã e ela vai com outro homem e ele se lembra de ter sentido de verdade ficar enciumadíssimo, sentindo o que o personagem deveria sentir. Noutra cena precisava ficar nu num poço cheio de gente nua e, logo ele que sempre ficou nu normalmente, teve problemas pela 1a vez. Aí viu uma moça grávida nua costurando enquanto esperava o intervalo das filmagens e voltou a achar natural. Mas quem diria que voltaria a ficar excitado com a personagem de Xuxa Lopes quando precisou abraçar a personagem que interpretava sua irmã.  Tiveram de lhe jogar a toalha. Nunca mais quer passar por isso de novo, só se precisar em absoluto, como Juliano Cazarré em “Boi Neon”, brincou.