Debate sobre o feminismo versus misoginia contidos em “Zootopia” da Disney

Zootopia é um dos filmes mais ricos da história da Disney antropologicamente falando, agora lançado em DVD/Bluray

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03 de junho de 2016

Que gratíssima surpresa. 1o pelo filme em si, “Zootopia”. 2o por poder gerar uma divergência tão acalorada internamente a um produto em massa como um filme da Disney.

zootopia_destSem Spoilers:
Eis que o debate é quente. E não na acertadíssima seara imagético-narrativa, onde a Disney se superou em transcender o formatinho clássico da tradicional jornada do herói (aqui heroína) e verter em brincadeira de gêneros, principalmente policial, noir e mistério. A elegância na forma de contar a história ainda referencia inúmeros cults dos respectivos gêneros, basta assistir ao filme que a maioria deles é evidente, com sabores de paródia levada a sério.

A parte debatível é do conteúdo da temática. Apesar de sim, haver de se reconhecer o vanguardismo do filme em ser super inclusivo de minorias e de diferenças, de discutir o famigerado sistema de quotas, e dar alfinetadas em vários conceitos atuais como o dirigismo midiático especulatório e corrupção na política, é na protagonista que residem os maiores dilemas ambíguos.

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Ao ver do críticos que vos escreve uma linda dose de feminismo.
Para outras vertentes uma misoginia velada, típica da Disney, que potencialmente pode passar a mensagem errada. Especialmente quando se fala de forma relevantíssima sobre corrupção disseminada na sociedade, não apenas em macroescala, porém em micro também. As pequenas corrupções de todos nós no dia-a-dia, que se não prestarmos atenção, legitimam o apodrecimento de todos os escalões.
O presente texto tenta demonstrar que justamente este argumento é o que apregoa à “Zootopia” esta moral tão deliciosamente ambígua, não como um mal exemplo às crianças de sociedade desequilibrada, mas como uma paródia a ensinar através do errado o que não se deve fazer.
O filme não reinventa a roda e depende de muitos arquétipos típicos, como alívios cômicos e vilões maniqueístas, porém providencialmente entrega um frescor experimental poluído no bom sentido de falhas humanas.

O filme ainda claramente alude às grandes parcerias de duplas famosas da Hollywood clássica, como Rock Hudson e Doris Day, Fred Astaire e Ginger Rogers e etc

O filme ainda claramente alude às grandes parcerias de duplas famosas da Hollywood clássica, como Rock Hudson e Doris Day, Fred Astaire e Ginger Rogers e etc

Com um plus: “resolve” narrativamente o mote da trama na metade da projeção (amooooo filmes que fazem isso), para desdobrar em um lado ainda mais psicológico depois.

E é tão tão tão atual com mil sutilezas: De falar de minorias; Quotas; Corrupções, pequenas e grandes; Dirigismo e pânico da mídia; Abuso de autoridade; Feminismo; Aceitação das diferenças; Migração de trabalho interior-urbano; Bullying; E tudo isso sem parecer demais, tudo fluido.

Dentro e fora do conteúdo interno do filme, como por exemplo a escolha aparentemente inócua da Shakira como dubladora coadjuvante, mas que tem TUDO a ver, porque é uma colombiana, latina, imigrante naturalizada, com o direito civil e político de se manifestar nas ruas por Paz.

Sem falar que mega está atinadíssimo com nosso momento político-ambíguo de bipolaridade provocada pelo pânico cassativo ilegal da mídia atual

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