Debi & Lóide 2

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20 de novembro de 2014

Em 1994, os irmãos Peter e Bobby Farrelly debutaram na direção com “Debi & Lóide: Dois Idiotas em Apuros”, que reunia Jeff Daniels e Jim Carrey, recém alçado à condição de fenômeno pelos filmes “Ace Ventura: um Detetive Diferente” (1994) e “O Máskara” (1994), nos papéis dos protagonistas que, como o próprio título em português evidenciava, nada mais eram do que dois idiotas envolvidos em situações esdrúxulas.

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Passados vinte anos, muita coisa mudou: a presença de Carrey no elenco de um filme não garante mais os milhões da época de vacas gordas e os Farrelly já não são tão anárquicos quanto antes. Jeff Daniels, por sua vez, embora tenha atuado em filmes de qualidade, como “As Horas” (2002), “A Lula e a Baleia” (2005) e “Boa Noite Boa Sorte” (2005), há tempos não emplaca um grande sucesso. Todas essas condições reunidas sugerem que uma continuação, vinte anos depois do filme original, não seria nada além de um caça-níqueis. Mas não é.

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Depois de despertar de um estado catatônico que durou exatas duas décadas, Lóide (Carrey) parte com Debi (Daniels) em uma road trip à procura de Penny (Rachel Melvin), a filha desconhecida do parceiro, fruto de uma noite de sexo com Fraida Felcher (Kathleen Turner) e que pode ajudá-lo a superar um grave problema de saúde.

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A viagem serve de mote para uma série de eventos inusitados que transformam este “Dumb and Dumber to” (no original) em uma homenagem sincera dos próprios diretores e de seus protagonistas ao primeiro filme, desfilando uma série de referências ao longa original e a sucessos televisivos, como “Lost” e “Breaking Bad”. Apesar de investir mais uma vez no humor físico, escatológico e grosseiro que marca a filmografia de Carrey e, especialmente, dos Farrelly, a obra funciona muito bem, garantindo gargalhadas durante as suas quase duas horas de duração. Embora seja nítido que os diretores tenham suavizado o seu humor (talvez fruto da maturidade), a incorreção política que lhes é característica se faz presente em praticamente todas as passagens do filme, que não perdoa sequer a deficiência de Stephen Hawkings ou a aparência física de Kathleen Turner, símbolo sexual da década de 1980 e que vive, aqui, uma senhora castigada pelo tempo e cujas feições (e as atitudes) beiram a masculinidade.

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A narrativa perde ritmo em seu arco final, quando o elemento dramático ganha espaço e coloca o cômico em segundo plano. Ainda assim, “Debi & Lóide 2” mantém o seu padrão de qualidade, que remete aos absurdos dos filmes da franquia “Jack Ass” e o afasta de equívocos como “Um Milhão de Maneiras de pegar na Pistola” (2014), do badalado Seth MacFarlane.

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Entre flatos, dedos malcheirosos, piadas sexuais e toda a sorte de bobagens que se possa imaginar, os débeis mentais que dão nome ao filme demonstram que tudo vale a pena em nome de uma boa piada.

Debi & Lóide 2 (Dumb and Dumber to)

EUA, 2014, 100 minutos.

Direção: Bobby Farrelly e Peter Farrelly

Elenco: Jim Carrey, Jeff Daniels, Rob Riggle, Laurie Holden, Rachel Melvin e Steve Tom.


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