Dégradé

Filme retrata a vida difícil das mulheres que vivem em Gaza e a cultura islâmica repressora

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30 de maio de 2017

Um salão de beleza cheio de mulheres contando sobre suas vidas umas às outras enquanto esperam para serem atendidas. Não fosse por seu teor mais dramático, “Dégradé” seria bastante parecido com “Caramelo” (2007), de Nadine Labaki. Escrito e dirigido por Arab Nasser e Tarzan Nasser, o filme acompanha um dia no salão de beleza da imigrante russa Christine (Victoria Balitska), situado em Gaza. Localizado próximo ao quartel-general de um grupo radical que acaba de roubar um leão do zoológico da cidade, o salão sofre com falta de luz e ataques da polícia ao grupo para de recuperar o animal. Christine, sua filha, uma assistente que namora um dos chefes do grupo, e dez clientes ficam, então, presas no local e, enquanto aguardam impacientemente a sua vez, trocam confidências sobre a vida e seus relacionamentos.

Exibido no Festival de Cannes 2015, “Dégradé” marca a estreia dos irmãos Nasser no roteiro e na direção de um longa-metragem. A trama, que conta com momentos de alivio cômico em meio ao fogo cruzado do confronto, é trágica na medida certa, sem se transformar num melodrama exagerado. Entre as mulheres, destacam-se a noiva que Christine arruma para o casamento, a grávida que pode dar à luz a qualquer momento, a autoritária que está sendo atendida há horas, a super religiosa recatada e mal humorada, e a excêntrica que usa substâncias ilícitas e chupa um pirulito azul atrás do outro. Apesar de ilhadas no salão num calor insuportável, as mulheres tentam manter o controle e seguir com o planejado para não sucumbir ao desespero com o que está acontecendo lá fora: muito tiroteio e bombas.

“Dégradé” não possui um grande enredo criativo, mas é um ótimo retrato do cotidiano difícil que têm as mulheres residentes em Gaza, cidade alvo de confrontos constantes entre diferentes grupos radicais. Seu ponto alto é a cena em que a mulher excêntrica, já esgotada da situação e alterada por drogas, faz um discurso divertido, ainda que sério, sobre como o país seria melhor se fosse governado por mulheres e distribui ficticiamente cargos em ministérios para cada uma ali presente. É um filme interessante, em que o espectador é colocado frente à cultura islâmica repressora à mulher. Só poderia ser menos cansativo.

Festival do Rio 2015 – Expectativa 2015

Dégradé (Idem)

França / Palestina – 2015. 85 minutos.

Direção: Arab Nasser e Tarzan Nasser

Com: Hiam Abbass, Victoria Balitska, Manal Awad, Mirna Sakhla e Maisa Abdelhadi.


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