Dez atrações imperdíveis que fizeram deste Festival do Rio um evento exemplar

Novo longa-metragem do diretor de 'Moonlight' lidera a lista de melhores filmes vistos pelo ALMANAQUE VIRTUAL (na visão deste escriba) até agora

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08 de novembro de 2018

Rubens Caribé evoca Gene Hackman em sua atuação possante em "Cano Serrado"

Rubens Caribé evoca Gene Hackman em sua atuação possante em “Cano Serrado”

Rodrigo Fonseca
Ainda temos quatro dias de maratona cinéfila carioca pela frente. Estes foram os títulos que mais fizeram o peito acelerar em sete dias de folia fílmica no Festival do Rio 2018:

  • 1) “Se a Rua Beale falasse”, de Barry Jenkins: James Baldwin explicado às crianças e reforçado aos adultos, na história de um amor que racismo algum quebra, com um delicado aporte de fotografias como pontuações da narrativa;
  • Stephan James-as e KiKi Layne em "Se a Rua Beale falasse"
  • 2) “O peso do passado”, de Karyn Kusama: Nicole Kidman se despe dos critérios de beleza da mídia e liberta seus monstros interiores no papel de uma policial bêbada de conhaque e de vingança;
  • 3) “O que você irá fazer quando o mundo estiver em chamas?”, de Roberto Minervini: Um alerta sobre a brutalidade que vem do abandono, num retrato do regresso das ações organizadas dos Panteras Negras no Sul dos EUA, fotografado num preto e branco de rigor plástico singular;
  • 4) “Torre das Donzelas”, de Susanna Lira: A ditadura revisitada pelas valquírias que cavalgaram em prol de democracia brasileira, num .doc no qual a montagem jamais perde o tom o lirismo;
  • 5) “A quietude”, de Pablo Trapero: Martina Gusman e Bérénice Bejo duelam na arena do melodrama, tendo Graciela Borges como a Odete Roitman deste “Vale Tudo” sobre a ditadura argentina;
  • 6) “As viúvas”, de Steve McQueen: Daniel Kaaluya comprova que a indicação ao Oscar por “Corra!” não foi mera questão de sorte, criando um vilão memorável, à cata de uma fortuna que Viola Davis deve em função de um crime malfadado cometido por seu marido (Liam Neeson);
  • 7) “Cano Serrado”, de Erik de Castro: Rubens Caribé mostra porque é tão respeitado nos palcos de São Paulo vivendo o mais sórdido anti-herói de nosso cinema de ação neste misto de “Copland” com “Warriors”, coroado por um duelo memorável;
  • 8) RBG: hero, icon, dissenter”, de Betsy West e Julie Cohen: Apesar da forma careta, este retrato da juíza Ruth Bader Ginsburg sintetiza com doçura o debate sobre o empoderamento feminino;
  • 9) “A queda do império americano”, de Denys Arcand: Cerca de 15 anos se passarem desde “As invasões bárbaras”, mas o historiador canadense ainda tem ironia para destilar ao avaliar o discurso neoliberal a partir de uma garota de programa batizada em referência à literatura de Celine;
    10) “O mau exemplo de Cameron Post”, de Desiree Akhavan: Chloë Grace Moretz galga outro patamar em sua jovem carreira ao encarnar uma adolescente lésbica submetida a uma “cura gay” numa recriação dos EUA dos anos 1990.