‘Dheepan’ ganha a Palma de Ouro de 2015

Filme do francês Jacques Audiard conquista o prêmio mais disputado do Festival de Cannes consagrando uma trama otimista sobre novas hipóteses para a inclusão social

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24 de maio de 2015

Dheepan

CANNES – Numa atitude de coragem, o corpo de jurados do 68° Festival de Cannes deu um olé na obviedade e confiou a Palma de Ouro de 2015 a um filme que é uma ode à esperança e à fé na Humanidade: “Dheepan”, do francês Jacque Audiard.

– Isto é, acima de tudo, uma narrativa sobre o amor e o quanto esta força avassaladora pode nos impelir adiante – disse Audiard em Cannes, com a Palma na mão, entre minutos depois de o diretor  László Nemes, da Hungria, cercado de favoritismo desde o começo do festival, ter abocanhado o Grande Prêmio.

No longa-metragem, Jesuthasan Antonythasan, um escritor que, dos 16 aos 19 anos, integrou um movimento militante no Sri Lanka, abriu as comportas de seu lado ator e arrebatou a cidade no papel central do drama repleto de adrenalina trazido por Audiard. Antonythasan interpreta Dheepan, soldado com mais de uma década de mortes nas costas que decide virar as costas para os movimentos armados de seu pais e tentar a sorte na Europa. Por um acordo politico ilegal, ele precisa levar consigo a menina Illayaal (Claudine Vinasithamby) e a jovem Yalini (a beldade indiana Kalieaswari Srinivasan), como se elas fossem sua filha e sua mulher. Ele aceita e inicia uma vida com as duas – sem muitos laços de afeto – na França, trabalhando como vendedor de bugigangas pelas ruas até assumir um serviço de zelador em um conjunto habitacional assolado pelo tráfico de drogas.

Além de impressionar pela conversão de um não-ator em uma força da natureza dramática, “Dheepan” surpreendeu Cannes pela habilidade de Audiard em converter a trama de uma crônica politizada sobre a  acomodação de desvalidos econômicos em um espetáculo belicista de grudar plateia na poltrona, com ecos de “Cidade de Deus” (2002), de Fernando Meirelles.

A lista de vencedores:

PALMA DE OURO: Jacques Audiard (“Dheepan”)

GRANDE PRÊMIO DO JÚRI: “Saul’s son”, de  László Nemes

PRÊMIO DO JÚRI: “The lobster”, de Yorgos Lanthimos

DIRETOR: Hou Hsiao-Hsien (“The assassin”)

ATRIZ: Emanuelle Bercot (“Mon roi”) dividido com Rooney Mara (“Carol”)

ATOR: Vincent Lindon (“La loi du marché”)

ROTEIRO: “Chronic”