Diesel da melhor qualidade em ‘Velozes Furiosos 8’

Com a decadência de Bruce Willis e Schwarzenegger, o astro motorizado emplaca o melhor filme da turbinada franquia iniciada em 2001, almejando o trono das chanchadas de ação

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11 de abril de 2017

Nem a caricata atuação de Charlize Theron atrapalha o esforço quase empresarial de Vin Diesel (em bom desempenho) de fazer da grife "Velozes & Furiosos" a melhor franquia de ação do momento - a mais rentável ela já é

Nem a caricata atuação de Charlize Theron atrapalha o esforço quase empresarial de Vin Diesel (em bom desempenho) de fazer da grife “Velozes & Furiosos” a melhor franquia de ação do momento – a mais rentável ela já é

RODRIGO FONSECA
Subproduto não assumido de Caçadores de Emoção (1991), a motorizada série de longas-metragens Velozes & Furiosos viveu altos e baixos estéticos desde que saiu da garagem, em 2001, alternando equívocos monumentais (as partes 3 e 5), capítulos chochos (o 2 e o 7) e pérolas (caso dos tomos 4 e 6), sem jamais esmorecer em termos de arrecadação. Somadas, as sete aventuras de Dominic Toretto – ladrão de carros, ás do volante e dublê de agente secreto vivido (cada vez melhor) por Vin Diesel – tiveram uma receita estimada em US$ 3,8 bilhões, coisa que muito Harry Potter ou herói Marvel sua o uniforme para fazer. Nem a morte do coprotagonista Paul Walker, vítima de um desastre rodoviário em 2013, fez descarrilhar a mais rentável grife do cinema de ação destes tempos no qual a medievalização de costumes resultante do politicamente correto fragilizou o gênero. Entra ano, sai ano, a franquia volta azeitada, alcançando seu ápice no oitavo volume, The Fate of the Furious, que estreia nesta quinta, sob uma direção inspirada de uma das maiores promessas (comerciais e artísticas) entre os cineastas negros revelados na década de 1990: F(elix) Gary Gray.

 

São dele as frenéticas tomadas de perseguição e sequências de luta um vigor plástico que não se via desde os últimos bons filmes de Steven Seagal (tipo A Força em Alerta). Muita adrenalina banha uma trama pouco verossímil, divertida e descaradamente mentirosa, na qual Toretto é obrigado a trair seus pares mais fiéis – a namorada Letty, vivida por Michelle Rodriguez; o boquirroto Roman, encarnado por Tyrese Gibson com humor a mil; e o braço mais musculoso do FBI, Hobbs, papel dado a Dwayne “The Rock” Johnson. A traição se deve a uma armação da cyberterrorista Cipher, vivida por uma caricata Charlize Theron, com caras, bocas e olhares vítreos, que não chega a prejudicar a ignição do enredo, que vai de Cuba (numa afrodisíaca sequência de abertura) à Rússia, passando por Berlim e Nova York, com direito a um submarino de guerra e uma ponta de Helen Mirren sobre a qual pouco se deve falar.

 

Revelado com o incorretíssimo Sexta-Feira em Apuros (1995) e promovido ao escalão dos nomes em quem Hollywood pode apostar de olhos fechados após o sucesso de O Negociador (1998), Gray é especialista em subverter padrões éticos, investindo em heróis nas margens do delito, sempre valorizando personagens negros que fujam dos arquétipos raciais mais castradores. De todos os realizadores que conduziram Velozes & Furiosos, ele foi o que melhor sobre expandir (e tornear) a curva dramática de perfil dos protagonistas, delineando as angústias afetivas de Toretto. E ainda colabora para repaginar a dimensão chanchadesca da franquia, investindo no humor com fartura, mas sem envergar o roteiro para o plano da comédia. Com a derrocada de selos de popularidade como Duro de Matar, ele faz Toretto (com o carisma de Diesel) a um posto de vigilantes de ambientes cômicos que antes pertencia a Bruce Willis e a Schwarzenegger.

 

Dos titãs da Ação do passado, só Sylvester Stallone conseguiu se segurar (e evoluir), vide os três filmes Os Mercenários (2010-2014). Mas Sly deixou um herdeiro: Jason Statham, que volta aqui ao trono de ferrebrás nº1 das telas no papel do terrorista arrependido Deckard. Tem mais dois Velozes para vir. Que Statham esteja nos dois. E que o padrão de engenharia de som – em alta aqui – perdure…

 

      

Avaliação Rodrigo Fonseca

Nota 4