Diplomacia

A elegância e poder de uma caneta pra decidir a Guerra ou a Paz

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21 de janeiro de 2016

Retratando um período histórico real, sobre a ocupação Nazista de Paris, “Diplomacia” de Volker Schlöndorff aborda uma das maiores questões éticas tanto do ponto de vista social de circunstância, quanto do ponto de vista histórico-universal: devem os perdedores ter uma postura de honra perante os ganhadores, e vice versa? E ao mesmo tempo, há um bem que possa ser considerado de valor maior do que qualquer vida, qualquer moral, independente do bem e do mal? Poderíamos considerar este bem o ‘conhecimento’ ou mesmo a “arte”. Parecem belas palavras soltas ao léu, mas quem já visitou Paris/França sabe muito bem que nem mesmo estas palavras poderiam descrever certos encantos ali presentes. É fato que muito do peso histórico do mundo foi exportado para lá, nas ruas, nos monumentos, nos museus, como monolitos egípcios milenares ou os maiores quadros da pintura mundial. E o que aconteceria se alguém apontasse um potencial de destruição em massa para a cidade luz?

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Foi esta a difícil decisão que os nazistas encontraram ao receber ordens para transformar Paris em pó, explodindo tudo no caminho da retirada. Poderia haver um acordo de cavalheiros a impedir isso? A palavra dada poderia ser mantida? E onde estava a resistência francesa enquanto isso? Este não é o primeiro filme a abordar essa história, e muito menos o último, inclusive demonstrando que certos homens poderosos da resistência precisaram ser de certa forma um pouco coniventes com o regime liderado por Hitler, e até resguardaram certo status durante o estado de sítio político-militar.

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O filme, então, concentra muito de sua tensão e carisma sobre os ombros de dois atores fenomenais encerrados numa mesma sala durante boa parte da projeção, Niels Arestrup e André Dussollier, que interpretam respectivamente o general alemão Dietrich von Choltitz com a missão de explodir a capital francesa e o cônsul geral da Suécia, que vai tentar convencê-lo a desistir de tal intento. Começa um jogo de gato e rato com várias mudanças de xeque-mates no tabuleiro, tudo em diálogos afiados quase como numa elegante peça de teatro, para provar que a força de uma caneta e de decisões numa sala burocrática podem determinar os caminhos da Guerra e da Paz. São poucas as cenas externas filmadas em Paris apenas como ligação nos cortes entre as sequências. Muito é decidido naquela sala como num jogo de gamão, complementado por uma direção de arte primorosa, ainda que a decisão do diretor de englobar toda a significância do momento histórico em uma única sala possa parecer reducionista.

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Avaliação Filippo Pitanga

Nota 4