Dispare

Disparando contra a letargia teatral carioca na direção de algo novo

por

25 de agosto de 2015

Foto DISPARE - 15

Teatro no Rio tem receita de sucesso. É só versar sobre musical e comédia. São Paulo já é mais afeita a projetos alternativos. E assim vai se traçando perfis de público. Porém, é pensando de maneira tão restrita e cautelosa que muitos similares e genéricos são feitos em torno da mesma coisa, gerando um garrote que afasta com o tempo a mesma platéia antes a lotar, levando até excelentes salas de teatro a fechar suas portas para sempre. Eis que um novo palco surge, pois a Biblioteca Parque na Av. Presidente Vargas 1261 abriu o Teatro Alcione Araújo, bem no Centro do Rio, onde se concentra o maior número de teatros variados por metro quadrado. E já vem disposto a experimentar com a reencenação comemorativa do sucesso de 2011, “Dispare”, escrito e dirigido por Roger Mello e produzida por Ricardo Schöpke, pelos 20 anos da Companhia Boto-Vermelho.

Foto DISPARE - 08

Não fosse a alta disposição para ousar, poderíamos correr o risco da mesmice sem um pingo de personalidade, mas esta é uma característica que nem se pode acusar não existir aqui em abundância. Com um criativo título em múltiplos sentidos, aludindo a um disparo/tiro ou mesmo díspare/diferente, a trama narra a investigação de um policial que suspeita ser ele próprio a vítima ao mesmo tempo que o perpetrador do mesmo crime. Porém, como não consegue morrer de jeito algum, ele debate com suas outras facetas internas, cada qual interpretada por um diferente ator de gêneros e idades diferentes, como se múltiplos de um só ser. Provocador e inquietante, não se trata de espetáculo com fácil digestão, pois foi feito para desarmar defesas e expectativas do espectador. Então não espere resultados fáceis, e sim sair desconcertado repensando as infinitas possibilidades do que possa ser teatro.

Foto DISPARE - 17
Com um cenário sóbrio, cartesiano e caótico ao mesmo tempo, com miscelânea de tecnologias velhas e novas coladas à platéia, formando um espaço atemporal num futuro próximo, é enriquecido pela elegância da iluminação com precisão cirúrgica. Isto sem falar no desafio de três atores compartilharem o mesmo papel, como se o texto e desenvolvimento interno da mesma pessoa naturalmente transcorresse entre três, numa espécie de dança. Muitos movimentos e falas rítmas de fato são emprestados da dança, experimentando um amálgama antropofágico e masturbatório de conhecer a si mesmo e nossas diferenças internas, não obstante isto involuntariamente render mais para um ator do que para outro em cena, com destaque para Ludmila Wischansky. Não é palatável para todos os públicos, pode e deve deixar desconfortável.

Foto DISPARE - 16

FICHA TÉCNICA

Texto, direção, cenografia e direção musical Roger Mello.

Pesquisa e consultoria de filosofia Regina Schöpke e Mauro Baladi.

Direção de produção Ricardo Schöpke.

Cia BOTO-VERMELHO

Rua Barata Ribeiro, 391/sala 602 – Telefone – + 55 21 2268-3508 e 98964-7415/ Copacabana – Rio de Janeiro/RJ – CEP. 22.0040-001

Assistência de direção Artur Gedankien.

Elenco Artur Gedankien, Ludmila Wischansky, Pedro Cavalcante e Ricardo Schöpke.

Figurino Ney Madeira, Pati Faedo e Dani Vidal.

Direção de movimento Roberta Repetto.

Arquitetura de luz Ricardo Schöpke.

Fotos Martin Atme

Assessoria de imprensa Ricardo Schöpke – Cia BOTO-VERMELHO.

Realização Cia BOTO-VERMELHO.

 

SERVIÇO:

Local: Teatro Alcione Araújo

Endereço: Av. Presidente Vargas, 1261 – Centro – Estação Presidente Vargas do Metrô

Telefone: programacao.bpe@bibliotecasparque.rj.gov.br

Temporada: 12 de agosto a 18 de setembro. Quartas, quintas e sextas às 19h

Valor: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia). Cadastrados nas Bibliotecas Parque têm direito à meia entrada.

Capacidade: 195 lugares

Classificação: 12 anos

Gênero: drama

Duração: 55 minutos


Warning: Invalid argument supplied for foreach() in /home/almanaquevirtual/www/wp-content/themes/almanaque/single.php on line 52