Divã a 2

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12 de maio de 2015

Conhecer os motivos que levaram “Divã a 2” aos cinemas já é desalentador. O filme, ao contrário do que muitos podem pensar, não é uma continuidade de “Divã” (2009), o queridinho do público sustentado pela cativante atuação de Lilia Cabral. Os riscos da comparação parecem não importar diante dos interesses de mercado: dar prosseguimento à franquia pegando carona na popularidade do primeiro. As semelhanças entre os dois longas param no título, apagando qualquer vestígio do texto original de Martha Medeiros, autora do livro homônimo, e do roteiro de Marcelo Saback, o mesmo que injetou originalidade no cenário da comédia nacional com “Loucas pra Casar” (2015). Na cadeira de direção de “Divã a 2”, Paulo Fontenelle é quem senta no lugar de José Alvarenga Jr., uma mudança que nada agrega. Se no primeiro filme a quarentona Mercedes (Lilia Cabral) teve certas incertezas quanto à felicidade depois de procurar um analista, em “Divã a 2” a crise afeta um jovem casal que decide resolver as diferenças com terapia.

Vanessa Giácomo e Rafael Infante, desempenhando o papel do casal que resolve digerir seus problemas familiares, estabelecem uma sincronia tão saborosa quanto um copo de água. Insípido e na temperatura ambiente. Eduarda é uma ortopedista super comprometida com as complexidades do esqueleto humano, enquanto Marcos ocupa seus dias como produtor de eventos. Cientes da estagnação do casamento, os dois decidem pela separação. Ponto de ruptura que funciona como porta de entrada para mesmices canhestramente reaproveitadas. Eduarda conhece um homem super interessante, o terapeuta Leo (Marcelo Serrado), por meio da amiga com fogo nas entranhas (Fernanda Paes Leme), a antítese da figura certinha. Já Marcos, casado desde muito jovem, decide recuperar nas baladas o tempo perdido. Como resultado do comportamento, ele se torna um péssimo pai sem tempo para visitar o filho, deixando livre o caminho para Leo, com cada vez mais espaço no coração de Eduarda.

Vale lembrar as aventuras amorosas que contrastam com a rotina disciplinada da ortopedista, breves participações de Fiuk e Maurício Mattar em passagens constrangedoras pelo fracasso humorístico. George Sauma, o intérprete da caricatura de Roberto Carlos no filme “Tim Maia” (2014), encabeça outras cenas com pretensões cômicas, mas totalmente ineficazes e pouco criativas. Para captar o interesse do espectador, o roteiro recorre a uma virada que até consegue sacudir o marasmo, mas nada tão efetivo a ponto de tirar o filme do limbo da banalidade.


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