‘Dominação’

Protagonizado por Aaron Eckhart, longa é uma das estreias desta quinta-feira, dia 05.

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04 de janeiro de 2017

Quando se pensa em produções sobre exorcismo, o título utilizado como referência é o clássico “O Exorcista” (The Exorcist – 1973), de William Friedkin. É um filme tenso e perturbador que eleva o horror à potência máxima, mexendo com a emoção da plateia. Por esta razão, o nível de exigência do público, principalmente dos fãs do gênero, é altíssimo. E quando o resultado não se aproxima em termos de desenvolvimento de roteiro, atuações nem na esperada sensação de medo, a decepção torna-se inevitável. É o caso de “Dominação” (Incarnate – 2016), uma das estreias desta quinta-feira, dia 02.

“Dominação” conta a história de Dr. Ember (Aaron Eckhart), um especialista em exorcismo que consegue entrar na mente das pessoas, mas sempre à procura da mesma entidade: Maggie. Durante sua busca incessante, é procurado por Camilla (Catalina Sandino Moreno), representante do Vaticano, para ajudar num caso que envolve Maggie e um menino de nove anos.

Dirigido por Brad Peyton, longa tem uma roupagem amadora (Foto: Divulgação).

Dirigido por Brad Peyton, longa tem uma roupagem amadora (Foto: Divulgação).

Repleto de clichês e previsibilidade, o roteiro é falho e não passa da superfície, pois não aprofunda absolutamente nada do que se propõe a contar. Tanta superficialidade torna-se ainda mais gritante nas sequências em que o drama precisa tomar conta da narrativa, refletindo, ainda, a má construção dos personagens.

Traído também pela direção fraca de Brad Peyton, de “Terremoto: A Falha de San Andreas” (San Andreas – 2015), “Dominação” não é somente um filme sobre possessão, mas sobre vingança. E é este acerto de contas do protagonista com o passado que funciona como fio condutor, mas o fato de ser dominado pela previsibilidade do roteiro, acaba por evidenciar a ineficiência deste longa em apresentar os elementos inerentes aos gêneros aos quais é classificado – horror e suspense.

Diante de tantos problemas, coube ao elenco se esforçar ao máximo para tentar salvar “Dominação” do fiasco cinematográfico. O esforço é nítido, mas não o suficiente porque os personagens são carentes de conteúdo que justifique suas ações e traumas. Dentro deste contexto, é o experiente Eckhart quem leva a produção nas costas, mesmo numa atuação que nem de longe está entre as melhores de sua carreira.

Finalizado em 2013, “Dominação” promete uma experiência cinematográfica regada à tensão, mas o que é encontrado na tela é um filme problemático em sua concepção, inclusive em relação aos quesitos técnicos. A fotografia é irregular, a montagem é completamente bagunçada, a maquiagem é inconvincente e, para completar, os efeitos visuais e sonoros são bastante toscos. Com isso, o horror propriamente dito fica por conta de sua roupagem amadora, típica de uma produção exibida na faixa “Supercine” nos anos de 1980.


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