Entrevista com atores de Adeus à Linguagem de Godard

Atores vieram ao Rio para divulgar o filme do mestre francês

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09 de agosto de 2015

Rio de Janeiro, Première “Adeus à Linguagem”

As exibições de “Adeus à Linguagem” em 3D, novo filme do diretor francês cult Jean-Luc Godard, que ajudou a criar e imortalizar uma nova forma de se fazer cinema, a Nouvelle Vague, trouxeram ao Brasil seus dois protagonistas para a apresentação ímpar desta revolução da técnica de 3D, além de ser a prova viva de que cineastas clássicos ainda estão na ativa desbravando e sendo relevantes em testar e provocar as linguagens atuais.

Héloïse Godet (de “Girl on a Bycicle”) e Kamel Abdeli (de “Djihad”) e seu tradutor iniciaram elogiando que a primeira obra em 3D do mestre Jean-Luc Godard tenha sido tão bem recebida pelos cariocas, a ponto de ganhar pré-estreias em cinemas tão prestimosos como Cine Roxy e Cine Leblon, geralmente voltados para outro tipo de demanda mais comercial. Até porque o 3D geralmente é mais explorado pelos filmes blockbusters. E é legal ver filmes com intuito mais de arte serem aceitos e abraçados por estas salas de circuito específico. E um Godard em 3D anda fazendo exatamente isso, aproximar a linha tênue que divide essas searas.

Explicaram também a dificuldade que o cineasta Jean-Luc Godard teve para verter o filme para outras línguas, já que foi necessário um cuidado todo especial com as legendas em meio aos efeitos de 3D. Normalmente as legendas vêm sobre a imagem tridimensional, sendo elas mesmas tridimensionais. Todavia, aqui elas vêm atrás da imagem que salta da tela, bidimensionais. Isso gerou desafios técnicos de desviar dos efeitos, como, por exemplo, comprimir as legendas apenas em um dos lados quando a imagem trabalhada fosse na extremidade oposta. Assim, até as legendas passaram a fazer parte do espetáculo visual do espetáculo.

Neste momento, Héloïse atenta falar em português com delicado sotaque: “Estou encantada em estar aqui. Espero que gostem do filme”. E explicou em francês que é um trabalho do qual se orgulham muito em trabalhar com o mestre Godard, já que este, trabalhando com a popular técnica 3D, ainda tem muito que mostrar aos fãs e cinéfilos.

Kamel arrematou com um pedido especial: Se possível para as pessoas verem o filme com o coração aberto, como uma aventura, o que é. Uma aventura de amor. Que todos os efeitos em 3D e as estonteantes imagens não enganassem o espectador a tentarem ‘entender’ todas as coisas, pois há sim muitas metáforas ali, exatamente do jeitinho preferido de Godard trabalhar, mas que não vissem a obra como mais do que ela se pretenderia ser: uma aventura. E passou um recado diretamente de Godard ao público brasileiro: quem achasse ter entendido tudo provavelmente estará mentindo, rs, e que entrasse em contato com ele para lhe explicar, rsrs.

Kamel, empolgado, ainda retomou a palavra para adiantar algo, mesmo que não desejasse estragar a surpresa para os espectadores:

“Vocês nunca viram algo assim antes em 3D. Haverá momentos em que terão que fechar o olho esquerdo para enxergar a imagem da direita, e noutras o olho direito para ver a imagem da esquerda. É uma verdadeira aventura visual.”