Era de Ouro da Rádio e cinema de gênero

Confira exemplos de harmonias como entre os filmes de David Lynch e as músicas de Roy Orbison

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04 de janeiro de 2021

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É maravilhoso quando o cinema de gênero utiliza de músicas da era de ouro da rádio em situações completamente assincrônicas e perturbadoras.

Lynch é mestre nisso, ainda mais usando Roy Orbison, como “In Dreams” na cena de tortura de “Veludo Azul”. E o clássico dos clássicos de Roy Orbison (numa das melhores gravações vocais da história em dupla com K.D. Lang no original), “Crying”, só que em versão hispânica bem melodramática no ponto de virada narrativa no Clube Silêncio de “Cidade dos Sonhos”. E podemos avaliar que há um plus meio “easter egg” de representatividade em se pensar que a versão original é cantada por uma artista assumidamente LGBTQ, K.D. Lang, numa cena de virada no protagonismo do casal lésbico em cena.

Há aqueles que o copiam, como usar “Save The Last Dance for Me” do The Drifters no filme “Black Heaven” de Gilles Marchand, cópia descarada de “Cidade dos Sonhos” com “13° Andar” (este, por sinal, um sci-fi noir, super subestimado, onde Cardigans fez “Erase/Rewind numa estética bem crooner à la Dusty Springfield).

Sem falar, noutra seara completamente diferente, na natalina “Let it Snow” de Vaughn Monroe na inesquecível adrenalina de ação “Duro de Matar”.

São maravilhosas essas tensões estético-musicais entre gogó e imagem.