Escape Room

Thriller psicológico não traz nada de novo, mas consegue trabalhar bem os clichês e deixar o espectador tenso na cadeira

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08 de fevereiro de 2019

As chamadas escape rooms, salas em que pessoas ficam presas por um determinado tempo para descobrir um enigma através de pistas, têm se tornado cada vez mais populares pelo mundo, inclusive no Brasil. Junta-se um jogo da moda com uma tendência do cinema atual em voltar os filmes de terror para adolescentes e temos “Escape Room”, dirigido por Adam Robitel (“Sobrenatural: A Última Chave”). Num misto de “Jogos Mortais”, “Dia de Trabalho Mortal”, “Would You Rather” e “Cubo”, com referências a “Premonição”, “O Albergue” e, veja só, “Jogos Vorazes”, o filme gira em torno de um grupo de seis estranhos que se encontram em momentos complicados de suas vidas e ganham um convite bastante inusitado para participar de uma sala imersiva de enigmas, com a promessa de 10.000 dólares na conta caso consigam sair. O que parecia apenas um jogo inocente se transforma num pesadelo repleto de armadilhas letais que eles precisam resolver antes que seja tarde demais.

Com roteiro de Bragi F. Schut (“Caça às Bruxas”) e Maria Melnik (séries “Deuses Americanos” e “Black Sails”), “Escape Room” é thriller psicológico que trabalha bem os clichês de gênero e consegue construir momentos de angústia e tensão a partir do jogo sádico de vida ou morte. A cada nova sala que o grupo entra, as armadilhas se tornam mais elaboradas e trazem à tona segredos do passado dos participantes até chegar a um momento em que uma improvável ligação entre eles é finalmente revelada.

Visando atingir o público adolescente, grande consumidor de filmes de terror, Robitel optou por praticamente eliminar o gore, tão inerente a um longa como este, para poder abaixar a faixa etária e aumentar a bilheteria. Não é à toa que dois dos participantes mais jovens tomam a frente da trama perto do terceiro ato. O tom conspiratório do desfecho, com um gancho claro para uma eventual continuação, soou um pouco forçado para transformar o filme em mais uma franquia e pode incomodar parte do público, como está acontecendo em “Vidro”, longa em cartaz de Shayamalan. Por outro lado, há em todo filme de terror certa licença poética – se assim podemos chamar – para que a trama possa avançar para um destino quase sempre clichê. Logo, assistir ao filme sem se apegar a este tipo de detalhes é preciso para imergir na viagem do diretor e dos roteiristas. Apesar de haver uma queda no terceiro ato, a qualidade dos dois primeiros não é invalidada e nem estraga a experiência do espectador ávido por tensão em “Escape Room”.

 

Escape Room (Idem)

EUA – 2019. 100 minutos.

Direção: Adam Robitel

Com: Taylor McKenzie, Logan Miller, Jay Ellis, Deborah Ann Woll, Tyler Labine e Nik Dodani.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 3