Estranha

“Estranha” foi o filme vencedor do Prêmio Félix de Melhor Longa-metragem de Ficção no Festival do Rio 2016

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18 de outubro de 2016

A criação de crianças por casais homossexuais é uma realidade cada vez maior em todo o mundo, embora ainda hoje seja vista com maus olhos pelos mais conservadores e preconceituosos. Além da adoção e da inseminação artificial, há também os casos em que um dos genitores, após a separação, decide se relacionar com uma pessoa do mesmo sexo, configurando, assim, uma nova formação familiar para a criança. Este é o caso de Sara (Julia Lübbert), uma menina prestes a completar 13 anos que vive com a irmã caçula, a mãe Paula (Mariana Loyola) e sua esposa Lia (Agustina Muñoz) desde que seus pais se separaram. O cotidiano das quatro é como o de qualquer outra família: tem problemas, mas muito amor. Victor (Daniel Muñoz), o pai das meninas, desaprova o novo relacionamento da ex-esposa e passa a interferir de maneira mais agressiva na vida das filhas, abalando a harmonia entre Sara e sua mãe.

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Em “Estranha”, vê-se um típico caso de alienação parental por parte do pai, que, neste caso, tem origem em sua homofobia, por não admitir que a mãe de suas filhas tenha um relacionamento amoroso feliz com outra mulher, como se ele tivesse algum direito sobre tal escolha. Ele, inclusive, casou-se novamente com outra mulher. Como toda menina de 13 anos com os hormônios explodindo na puberdade, Sara quer ter novas experiências e conquistar o seu lugar no mundo, o que inclui discordar e desafiar os pais. Quem sai perdendo com esse humor inconstante é, claro, a mãe, com quem convive diariamente, já que é detentora de sua guarda, como na maioria das decisões judiciais, algo que é discutido rapidamente no longa, mas afeta fortemente o seu desfecho.

RARA Still Cheering the play

Entre as diversas discussões propostas no roteiro de Alicia Scherson (“O Futuro”) e Pepa San Martín, também à frente da direção de seu primeiro longa-metragem, falta um maior aprofundamento na questão escolar, já que, aparentemente, as meninas não sofrem bullying por parte dos colegas, mas a professora manda recado para a mãe sobre um desenho da filha mais nova e Sara fecha a cara quando o diretor do colégio lhe pergunta se algum colega tem preconceito com relação a suas duas mães. San Martín teve uma ótima intenção ao reunir diversos temas familiares num mesmo filme, porém poderia ter se aprofundado mais em cada um deles e trabalhado melhor a montagem, que possui cortes em momentos um pouco inoportunos. Apesar do ritmo muito lento típico de alguns dramas argentinos, a trama de “Rara” (no original) consegue prender a atenção do espectador e gerar empatia com uma história universal, já que inúmeras pessoas passam por situações parecidas no mundo inteiro.

 

 

Festival do Rio 2016 – Première Latina

Estranha (Rara)

Chile / Argentina – 2016. 88 minutos.

Direção: Pepa San Martín

Com: Julia Lübbert, Emilia Ossandón, Mariana Loyola, Agustina Muñoz, Coca Guazzini e Daniel Muñoz.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 3