Eu Sou Ingrid Bergman

O perfil de uma mulher que ousou enfrentar as convenções sociais numa época repleta de tabus morais

por

09 de janeiro de 2016

Importada da Suécia pelo produtor David O. Selznick, Ingrid Bergman conquistou de imediato a simpatia de Hollywood com seu charme discreto e carisma europeu. Avessa a badalações e sem o sex appeal das atrizes de sua época, Ingrid chegou a América em meados dos anos 30 acompanhada de seu marido, Petter Lindstron, um renomado neurocirurgião e sua filha, a pequena Pia, alcançando um estrondoso sucesso que culminou com um Oscar de melhor atriz por “À Meia Luz” de 1944. Seria um conto de fadas perfeito, caso a atriz anos depois não tivesse abandonado a família, cruzado o Atlântico para se envolver com o diretor italiano Roberto Rossellini transformando-se, aos olhos da sociedade norte americana, em uma adúltera e uma má influência para todas as mulheres.

O documentário “Eu Sou Ingrid Bergman” (Jag ar Ingrid) dirigido e roteirizado pelo sueco Stig Björkman, aborda esta e muitas outras interessantes questões sobre o perfil de uma mulher que ousou enfrentar as convenções sociais numa época repleta de tabus morais.

 

O grande diferencial deste filme é que Björkman deixa que a atriz “converse” com o espectador através da suave narração da atriz Alicia Vikander e acompanhada de um extenso material particular (e inédito) como cartas, diários, fotografias e filmes caseiros, incluindo depoimentos de amigos e seus quatro filhos (Pia Lindstron, Roberto, Ingrid e Isabella Rossellini) que argumentam sobre o comportamento da mãe de acordo com seu ponto de vista. Para o diretor é importante que a figura de Bergman fale por si própria e que o espectador tire suas próprias conclusões embora se perceba uma aura de magnanimidade e generosidade em torno da atriz. Isabella Rosselini, por exemplo, vibra com as lembranças infantis passadas ao lado da mãe mesmo quando Ingrid passava longos períodos fora de casa. Para ela a mãe é um sinônimo de liberdade e autonomia, um modelo de bom humor, beleza e alegria. Já Pia Lindstron, não consegue conter o constrangimento de explicar as razões que levaram a mãe a abandoná-la desde pequena, se abstendo de traçar comentários sobre seus irmãos italianos.

IB02

Eu Sou Ingrid Bergman (Jag ar Ingrid) é um retrato saudosista de uma mulher centrada (e inconformada) que defendia a liberdade de viver sua vida da maneira como sempre quis. Um exemplo a ser seguido.

IB03

Eu Sou Ingrid Bergman (Jag ar Ingrid)

Suécia, 2015. 104 min

Direção: Stig Björkman

Com: Ingrid Bergman, Roberto Rossellini, Pia Lindströn, Isabella Rossellini

 

Avaliação Zeca Seabra

Nota 4