Eu Sou Michael

Como a religião tende a ser mal interpretada e a sufocar a verdadeira opção sexual das pessoas

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17 de outubro de 2015

Baseado em um artigo publicado por Michael Glatze, gay assumido, co-fundador da revista Young Gay America e antigo defensor dos direitos LGBTS, que recebeu destaque na mídia após declarar que deixou de ser homossexual, “Eu Sou Michael” (“I Am Michael”),  primeiro longa metragem do diretor Justin Kelly, soa como um importante grito de alerta para a discussão homofóbica em determinados grupos religiosos.

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Com o aval de Gus Van Sant na produção executiva e a presença de James Franco e Zachary Quinto (dois atores engajados na causa LGBTS), o filme abre uma discussão sobre a estranha conversão de Glatze em um ortodoxo pastor evangélico e levanta algumas possibilidades para a postura bitolada de um indivíduo obviamente desfocado e perdido em seus conceitos.

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A história é dividida em capítulos com os nomes das cidades visitadas por Glatze que, junto com seu namorado Ben, se aventurou em um projeto profissional de ouvir os jovens de uma América interiorana onde o preconceito é mais presente. Nesse meio tempo, Glatze desenvolveu uma síndrome do pânico decorrente do medo de ter contraído a mesma doença que matou seu pai de um ataque cardíaco e as coisas começam a mudar. Após um diagnóstico negativo, Glatze acredita ter escapado da morte pela intervenção divina e que era um sinal para mudar seu comportamento. Se perdendo em citações bíblicas que enfatizam a efemeridade da existência, Glatze encapsula-se em noções abstratas e passa a questionar seu estilo sexual até anunciar sua heterossexualidade.

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O filme tenta deduzir o que levou Glatze a esta conversão tão radical e ao mesmo tempo, levanta o tapete que esconde a hipocrisia dos falsos profetas que usam a palavra evangélica para atacar a comunidade gay. James Franco, em um dos seus melhores papéis dramáticos, transmite com extrema honestidade a confusão e os questionamentos de um personagem extremamente ambíguo e desconfortável com sua própria presença.

Sem ser panfletário, “Eu Sou Michael” (“I Am Michael”) não tira conclusões precipitadas nem faz acusações irônicas, mas deixa o espectador bem preocupado com a possibilidade que a religião tende a ser mal interpretada e a sufocar a verdadeira opção sexual das pessoas.

 

Festival do Rio – Panorama do Cinema

Eu Sou Michael (I Am Michael)

Eua, 2015. 98 min

Direção: Justin Long

Com: James Franco, Zachary Quinto, Emma Roberts, Daryl Hannah, Avan Jogia

 


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