Eu, Você e a Garota que Vai Morrer

Eu, você e a homenagem aos grandes clássicos do cinema que nunca vão morrer

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14 de outubro de 2015

A sinopse todo mundo já conhece. Seja porque o título já diz tudo, seja porque outros filmes/livros adolescentes contaram essa história de maneira exemplar anteriormente, como uma combinação dos temas de “As Vantagens de Ser Invisível” e “A Culpa é das Estrelas”. Isto qualquer cinéfilo tira de letra. Então por que o sucesso literário de vendas da vez, “Eu, Você e a Garota que Vai Morrer”, em sua adaptação cinematográfica, arrebatou os prêmios de público e da crítica no último Festival de Sundance de cinema independente americano? Simples, o roteiro adaptado pelo próprio autor do livro, Jesse Andrews, tem a vantagem de focar no público alvo sem destruir o material original. Porém, principalmente, a direção incrivelmente caprichada e bem bolada para cada ângulo novo, cada enquadramento ou montagem de cenas eleva este filme a outro patamar. A trama acompanha um garoto (na pele da revelação Thomas Mann) que considera ter descoberto a grande chave para sair incólume dos habituais traumatizantes anos de colegial, sendo próximo o bastante de todos os nichos e grupos, porém não próximo demais, para passar despercebido na medida certa. Tudo vai bem até que sua mãe exige que ele dê apoio e passe mais tempo com uma antiga amiga de infância de quem se distanciou com os anos, e agora está com câncer (Olivia Cooke, apenas correta).

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Ou seja, o debate sobre popularidade e a possibilidade de enxergar os outros além dos estereótipos graças a extremos como o caso do câncer já foram vistos nos filmes citados acima. Porém, o trabalho de arte do filme e olhares de câmera inusitados, quase parecendo ter advindo da experiência com o non sense e o naïf de Wes Anderson (de “Moonrise Kingdom” e “Os Excêntricos Tenenbauns”), faz valer a contratação de seu diretor, Alfonso Gomez-Rejon, praticamente estreante em longas metragens, com exceção de um filme de baixíssimo orçamento, “Assassino Invisível”. E o faz levando a câmera para lugares novos, como ora desconfortavelmente perto de seus protagonistas, tipo nos olhos ou nuca destes, ora à distância a capturar cada detalhe de cena dos cenários riquíssimos, ou mesmo ora girando em 180 graus para mostrar a realidade por outra ótica. Inclusive se já não fosse por tudo isso, ainda ganha um valor inestimável pela homenagem que faz à história do cinema nas pequenas refilmagens de clássicos feitas como passatempos pelos protagonistas, resultando em filmes caseiros divertidíssimos e criativos como adaptações baratas e ingênuas de “Morte em Veneza”, “Laranja Mecânica” e “Conduzindo Miss Daisy” – lembrando a brincadeira que outrora realizada em “Rebobine, Por Favor” de Michel Gondry.

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A história, todo mundo já sabe e não inova. Levando-se em consideração que o título original da obra “Me, Earl and the Dying Girl” se refere ao personagem de Earl, o melhor amigo do protagonista, interpretado por um irreverente e seguro R.J. Cyler, que aqui é um pouco apagado frente sua importância no livro, o que não compromete a preferência em dar foco ao casal principal, ainda que já sirva de vitrine para o ótimo trabalho do ator.

Festival do Rio 2015 – Mostra Expectativa

Eu, Você e a Garota que vai Morrer (Me, Earl and the Dying Girl)

EUA, 2015. 104 min.

De Alfonso Gomez-Rejon

Com: Thomas Mann, RJ Cyler, Olivia Cooke, Connie Britton, Moll Shannon


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