Êxodo: Deuses e Reis

por

26 de dezembro de 2014

Último longa da carreira de Cecil B. de Mille como diretor, “Os Dez Mandamentos” (1956) ostenta até hoje a condição de maior filme bíblico da história de Hollywood. Indicado ao Oscar de 1957 em sete categorias, a obra acabou faturando apenas uma (a de efeitos especiais), mas marcou seu nome ao contar a história bíblica do êxodo, segundo livro do Antigo Testamento, e tornou-se uma referência cristã na indústria do cinema.

coldplay-no-novo-trailer-do-film

Passados quase 50 anos, Ridley Scott resolve recontar a história de Moisés (Christian Bale), o hebreu criado no seio da família do rei Seti (John Turturro).  Vítima da inveja e do ódio de Ramses (Joel Edgerton), praticamente seu irmão adotivo, ele é expulso do reino e descobre seu dever perante Deus: retornar ao Egito e liderar seu povo na busca pela terra prometida.

exodo-deuses-e-reis-1

Assim como a obra de B. de Mille, “Exodus: Gods and Kings” (no original) impressiona pela grandiosidade, alcançada pela combinação perfeita dos efeitos visuais com as tecnologias Imax e 3D, aliada a uma impecável direção de arte. A reconstrução do Egito bíblico neste novo longa impacta ao levar a um novo patamar a já estonteante visão que B. de Mille havia concebido na década de 1950.

367127

Contudo, se sobra grandiosidade ao filme de Scott, a obra fica à sombra da imponência e da fluidez do clássico, que supera o remake em todos os demais aspectos. Falta a Bale e Edgerton, por exemplo, o carisma das atuações de Charlton Heston e Yul Brynner nos papéis de Moisés e Ramses, respectivamente.

311361

A simplificação do roteiro, efetuada com o objetivo claro de trazer dinamismo à narrativa, não cumpre o seu papel e conduz a um curioso paradoxo: mesmo com 75 minutos a menos de duração, “Êxodo: Deuses e Reis” apresenta sérios problemas de ritmo (especialmente em seu segundo arco), falha que não se vê no original, mesmo com suas quase quatro horas.

+èxodo-Deuses-e-Reis

Por outro lado, ao imprimir à trama um caráter militarizado, voltado à construção do mito clássico do herói, o diretor põe em segundo plano o interessante debate entre razão, fé, rivalidade e poder proposto pela humanização da figura de Moisés (algo que Darren Aronofsky já havia feio em “Noé”) e transforma a obra em uma pálida releitura dos seus “Gladiador” (2000) e “Cruzada” (2005), flertando desnecessariamente com o gênero capa-e-espada.

311361

O resultado é um filme mal resolvido e indeciso entre os aspectos épico, bélico, político e aventuresco que a narrativa possibilitava. Sem saber para onde correr, “Êxodo: Deuses e Reis” não emociona os cristãos nem empolga o público comum, algo que fica claro na anticlimática cena da travessia do Mar Vermelho.

Êxodo: Deuses e Reis (Exodus: Gods and Kings)

Estados Unidos, 2014, 150 minutos.

Direção: Ridley Scott

Com: Christian Bale, Joel Edgerton, John Turturro, Aaron Paul, Maria Valverde, Sigourney Weaver e Ben Kingsley.


Warning: Invalid argument supplied for foreach() in /home/almanaquevirtual/www/wp-content/themes/almanaque/single.php on line 52