A Família Bélier

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03 de janeiro de 2015

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Lançado sem grandes alardes (e sem sessão para os críticos) chega ao circuito carioca, uma das grandes surpresas cinematográficas de 2014. A Família Bélier (La Famille Bélier, 2014) é um interessante trabalho do diretor francês Eric Lartigau que consegue conquistar o público pela simplicidade de um argumento que fala de amadurecimento e emancipação.

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Na trama a jovem Paula (Louane Emera (descoberta no reality show The Voice e em seu primeiro papel no cinema) é uma adolescente que mora com seus pais e irmão, todos surdos. Cabe à Paula administrar o negócio de laticínios e servir de tradutora oficial nas conversas com vizinhos. Após se inscrever no coral da escola por interesse amoroso, Paula tem seu talento descoberto por um professor de canto que a convida para uma bolsa de estudos em Paris. O conflito aparece em forma de relações e compromissos. Como abandonar a responsabilidade familiar e ir atrás de seus sonhos? Como lidar com a culpa?

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Lartigau traça um retrato bastante humano de uma família como outra qualquer cuja diferencial é a deficiência auditiva, mas em nenhum momento utiliza esta condição como peça melodramática. O interesse aqui é analisar as relações familiares e as dificuldades que toda adolescente passa quando decide dar seu grito de liberdade em um meio afetivamente caloroso. Com um discurso universal e sincero, o filme conta com um belo trabalho de caracterização de todo o elenco que realça as situações cômicas e embaraçosas sem cair na vala comum dos estereótipos dos deficientes.

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Os Bélier são barulhentos, comunicativos e também sujeitos a todos os tipos de frustrações e carências quando percebem que um ente querido precisa sair do ninho.  Este conflito, no entanto, não apaga as outras possibilidades que o roteiro tem a oferecer. A descoberta sexual do irmão de Paula, Quentin ( Luca Gelberg  – o único ator realmente deficiente), a candidatura do patriarca (o ótimo François Damiens) à prefeitura da cidade e o frustrado professor de canto (Eric Elmosnino) compõe uma bela moldura para este descontraído retrato familiar cuja maior qualidade é ser atemporal e de fácil identificação individual.

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Quando Paula canta a canção Je Voule de Michel Sardou para sua família na linguagem dos sinais, ficamos a imaginar como a dor do crescimento pode ser amorosa e que a escuta interna independe única e exclusivamente da audição externa.

 

A Família Bélier (La Famille Bélier)

França, 2014. 100 min.

Direção: Eric Lartigau

Com: Louane Emera, François Damiens, Karin Viard

 


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