Favoritos à Palma de Ouro ganham seus primeiros prêmios em Cannes

Concorrente da Hungria, 'Saul's son' é o eleito da Federação de Críticos enquanto o italiano 'Mia madre' é o preferido do Júri Ecumênico no festival francês que chega ao film neste domingo

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23 de maio de 2015

"Saul's son", da Hungria

“Saul’s son”, da Hungria

Encarados como favoritos à Palma de Ouro no 68° Festival de Cannes desde o começo do evento, os longas “Saul’s son” (Hungria), de László Nemes, e “Mia Madre” (Itália), de Nanni Moretti, conquistaram suas primeiras láureas de peso na Croisette. O longa de Nemes foi o preferido da Federação Internacional de Imprensa Cinemaográfica (Fipresci), cujo corpo de jurados este ano foi presidido pelo carioca Mario Abbade. A “dramédia” de Moretti foi o eleito do  Júri Ecumênico, que festeja tramas de cunho humanitário.

– Cresci fora da Hungria, vivendo anos na França, e voltei para fazer um filme com profissionais de muitas nacionalidades. Sempre me senti um estrangeiro no cinema da minha nação. Não saberia, portanto, dizer o que o êxito em Cannes de 3Saul’s son” representa na minha terra. Mas é sempre bom um prêmio, pois ele ajuda a dar visibilidade e atrai os jovens – dizia Nemes, estreante em longas.

O time da Fipresci premiou outro estreante, o indiano Neeraj Ghaywan, por “Masaan”, drama cuja estética é inspirada em “Central do Brasil”, de Walter Salles, e que disputava na seção Un Certain Regard. O terceiro prêmio da Federação foi para o argentino “Paulina”, de Santiago Mitre. Trata-se de uma coprodução com o Brasil (via Videofilmes, também de Salles) que venceu na quinta-feira a Semana da Críticos. O cineasta é conhecido no circuito brasileiro por “O estudante”.

– Um dos trabalhos da crítica é apontar nos talentos. E soa ainda mais significativo quando isso pode ser feito num festival com gente do quilate de Gus Van Sant, Hou Hsiao-Hsien, Todd Haynes – avalia Mario Abbade.

Além de Moretti, o Júri Ecumênico rendeu menções honrosas para “Taklub”, de Brillante Mendoza, das Filipinas, e para “La loi du marché”, de Stéphane Brizé, da França, que surpreendeu Cannes com seu olhar sobre a crise na Europa. Houve ainda uma láurea inédita este ano, o Prix Documentaire L’Oeil, confiado ao chileno “Allende, mi abuelo Allende”, de Marcia Tambutti Allende.

Fala-se muito agora de um certo favoritismo do corpo de jurados da Palma, presidido pelos irmãos Joel e Ethan Coen para Hsiao-Hsien e seu “The assassin”, masa nada é garantido. Os resultados finais saem neste domingo.