Fest Rio: Primeiro balanço parcial

Pacificado surpreende

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12 de dezembro de 2019

Primeiro balanço parcial do Festival do Rio 2019 até agora:

Maior decepção: “Piedade” de Claudio Assis. Nada a declarar antes de minha crítica, a não ser: please, relancem o filme SEM a trilha sonora irritante de novela da Record. Já vai ser outra obra! Depois abordo os outros aspectos.

Maior surpresa: o personagem ‘Jaca’ na pele de Bukassa Kabengele, no filme “Pacificado” de Paxton Winters. O filme não é perfeito, mas o arco narrativo do personagem é brilhante, tanto no roteiro quanto na atuação do ator. O que é Bukassa neste papel?!!😱😱😱. Em compensação, alguém avisa José Loreto que isso não é novela e que seu vilão está no cinema e não na telinha de casa… Ainda assim, um filme surpreendente e de rendimento bastante diferente do que aparentava…

Maior zero a zero: “Honey Boy” de Alma Har’el com roteiro autobiográfico de Shia Labeouf, sobre sua infância e descaminhos adultos a partir dos traumas deixados por seu pai alcoólatra = você acha que vai ter uma coisa e recebe outra. Ao invés de um filme sobre a desglamourização da fama precoce, vira uma boa massagem de ego numa terapia pessoal onde o próprio Shia interpreta seu pai, e desperdiça os meandros reais do trem descarrilhado que é a cabeça do ator…ainda mais desperdiçando o ótimo intérprete da vida adulta na pele de Lucas Hedges.

Filme fofo: “Adoráveis Mulheres” de Greta Gerwig. Fofo. Com algumas ótimas cenas, algumas tiradas dos novos tempos bem encaixadas de forma metalinguística num filme de época, e alguns personagens desperdiçados ou destoando do total (Emma Watson quebra completamente a firma familiar…, mas a trinca Saoirse Ronan, Florence Pugh e Timothée Chalamet estão encantadores e seguram bem o rojão.