Festival do Rio 2016: “A Economia do Amor”

Protagonizado por Bérénice Bejo e Cédric Kahn, longa é um dos selecionados da Mostra Panorama do Cinema Mundial.

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13 de outubro de 2016

Consagrada melhor atriz no Festival de Cannes por “O Passado” (Le passé – 2013) e indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante por “O Artista” (The Artist – 2011), Bérénice Bejo invadiu a programação do Festival do Rio 2016 com o drama familiar “A Economia do Amor” (L’économie du couple – 2016), um dos selecionados da Mostra Panorama do Cinema Mundial.

Cédric Kahn e Bérénice Bejo vivem o casal protagonista.

Cédric Kahn e Bérénice Bejo vivem o casal protagonista.

No longa dirigido por Joachim Lafosse, Bejo vive Marie, uma mulher que está se divorciando após 15 anos de matrimônio. Mais do que a dor do divórcio, ela precisa lidar com a parte prática da divisão de bens, no caso, o imóvel que dividiram durante anos, comprado com o seu dinheiro e o de sua mãe, mas reformado com o dinheiro de Boris (Cédric Kahn), que briga pela metade do valor e, por falta de dinheiro, continua morando no local. No meio disso, suas duas filhas tentam enfrentar a tensão da melhor maneira possível.

“A Economia do Amor” não tem como objetivo apresentar a história pregressa do casal nem o porquê do divórcio, apesar de vez ou outra pontuar o incômodo de Marie por sempre ter assumido as contas, mas, sim, de mostrar o cotidiano tenso de Boris e Marie, que se torna uma pessoa cada vez mais instável emocionalmente, levando para as telas um ambiente sufocante, somente amenizado pelo encanto provocado pelas meninas, Jade e Margaux, respectivamente interpretadas pelas irmãs Jade Soentjens e Margaux Soentjens, que estreiam no cinema.

Atuações encantadoras das meninas ajudam a amenizar a tensão.

Atuações encantadoras das meninas ajudam a amenizar a tensão.

Mesmo com atuações encantadoras das meninas, o longa perde parte de sua força devido às interpretações dos protagonistas, que tentam a todo instante elevar ainda mais o tom melodramático, concedendo certa artificialidade aos personagens, principalmente Bejo, que aposta em expressões faciais carrancudas até quando elas não se fazem necessárias.

“A Economia do Amor” é simples tanto em sua concepção quanto em sua narrativa e, por esta razão, permitirá com que parte da plateia se identifique com o drama da família. No entanto, é uma produção de roteiro irregular e que não é tão eficiente ao contar a trama a que se propôs.

Avaliação Ana Carolina Garcia

Nota 3