Festival do Rio 2016: ‘Na Cama com Madonna’ completa 25 anos

Produção polêmica e cultuada integra a Mostra Midnight Docs.

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10 de outubro de 2016

Membro da realeza da música pop, sua Rainha, na verdade, Madonna tem uma carreira marcada por polêmicas de todos os tipos, principalmente durante as décadas de 1980 e 1990, quando se estabeleceu na indústria do entretenimento como uma figura feminina forte e poderosa capaz de levar o seu público à loucura, ao mesmo tempo em que também enlouquecia o clérigo católico.

Madonna nos bastidores de uma de suas maiores turnês.

Madonna nos bastidores de uma de suas maiores turnês.

Nascida em família de descendência italiana, a religião sempre foi uma constante em sua vida, algo que se reflete em sua arte, mas de maneira controversa, como no clássico videoclipe de “Like a Prayer”, faixa título do álbum homônimo de 1989, que mostra a cantora apaixonada por um santo negro e diante de uma cruz em chamas.

No entanto, nada incomodou mais a Igreja do que as performances da turnê “Blond Ambition” (1990), não apenas pela religiosidade apresentada no palco, como em “Live to Tell”, mas, sobretudo, pela audaciosa performance de “Like a Virgin”, à qual Madonna simulava masturbar-se em uma cama coberta com lençol de seda vermelho, com dois bailarinos ao seu lado. Isto lhe rendeu críticas dentro e fora do Vaticano, o cancelamento de dois shows na Itália e uma ameaça de prisão no Canadá. Os episódios citados estão documentados em “Na Cama com Madonna” (Madonna: Truth or Dare – 1991), que está completando 25 anos e é uma das produções selecionadas para a Mostra Midnight Docs do Festival do Rio 2016.

Madonna no palco.

Madonna no palco.

Dirigido por Alek Keshishian, este longa não se atém aos bastidores da “Blond Ambition”, considerada pelos fãs a melhor turnê de sua carreira, explorando de forma bastante eficiente a essência deste ícone pop, mostrando sua relação com a família de origem e seus bailarinos. No entanto, o que faz deste documentário um marco é a abordagem de temas considerados tabus no início dos anos de 1990.

Madonna nunca lutou somente por direitos iguais para as mulheres, como também para os homossexuais, utilizando este documentário para abordar o tema sem nenhuma concessão num meio de comunicação de massa poderoso como o cinema, algo que balançou as estruturas da sociedade na época, aumentando ainda mais o burburinho em torno de “Na Cama com Madonna”, recheado de polêmicas e críticas, inclusive ao comportamento de celebridades hollywoodianas.

Produzido numa época em que Madonna adorava a exposição midiática, “Na Cama com Madonna” também mostra ao espectador o lado controlador da cantora, que sempre se preocupou com cada detalhe de seus shows, apresentados em imagens coloridas que contrastam com o preto-e-branco das cenas de bastidores e do cotidiano da equipe.

“Na Cama com Madonna” é um retrato da Rainha do Pop e uma oportunidade para a nova geração conhecer a trajetória da cantora que tanto fez, e ainda faz, pela indústria fonográfica. Uma artista precursora que sempre lutou pela igualdade e respeito, acima de raça, credo, opção sexual e gênero, numa época em que nada era tratado abertamente e que feminismo não era objeto de discussões facebookianas, inclusive algumas infundadas ou de cunho extremista que pregam superioridade ao invés de igualdade.

* A Mostra Midnight Doc também exibe “Strike a Pose” (Idem – 2016), produção dirigida por Ester Gould e Reijer Zwaan, protagonizado pelos bailarinos da “Blond Ambition”, exceto por Gabriel Trupin (falecido em 1995): Luis Camacho, Oliver Crumes, Salim Gauwloos, Jose Xtravaganza, Kevin Alexander Stea e Carlton Wilborn, este último também participou da “The Girlie Show Tour” (1993), que marcou a primeira passagem de Madonna pelo Brasil, com shows no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Avaliação Ana Carolina Garcia

Nota 5