Festival do Rio 2016: ‘O Medo’

Baseado na obra homônima de Gabriel Chevallier, longa é um dos selecionados da Mostra Panorama do Cinema Mundial.

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10 de outubro de 2016

As duas Guerras Mundiais são abordadas frequentemente no cinema. Algumas produções são mais impactantes que outras, mas fato é que sempre levam o espectador a refletir sobre as consequências de conflitos de grandes proporções. E reflexão é o elemento principal de “O Medo” (La Peur – 2015), um dos selecionados da Mostra Panorama do Cinema Mundial do Festival do Rio 2016.

Nino Rocher vive um jovem soldado que amadurece no front.

Nino Rocher vive um jovem soldado que amadurece no front.

Com direção e roteiro de Damien Odoul, o longa começa no verão de 1914, mostrando um jovem de 19 anos, apaixonado pela namorada, Marguerite (Aniouta Maïdel), mas ansioso para lutar na Primeira Guerra Mundial. Para Gabriel Dufour (Nino Rocher) e tantos outros jovens, a guerra era “como um cinematógrafo”, um espetáculo imperdível que acabaria antes do Natal. Mas, uma vez no front, face à dura realidade, são expostos à fome, sede, frio e medo, que os levam ao limite da sanidade mental.

O horror da guerra é apresentado em sequências nos campos de batalha, mas, sobretudo, através de cartas do protagonista para sua namorada, sempre à espera de seu retorno. Tais cartas, narradas em primeira pessoa, concedem um pouco de poesia ao caos, porém sem deixar de lado a crítica às razões pelas quais países entram em guerra, destacando o desgaste dos pelotões ao afirmar que os acontecimentos do front são criminosos e que os soldados são o “açougue da pátria”, principalmente devido aos massacres de inocentes.

O jovem envia cartas para a namorada para contar sobre o horror da guerra.

O jovem envia cartas para a namorada para contar sobre o horror da guerra.

Com uma narrativa simples e de fácil compreensão, “O Medo” consegue envolver a plateia rapidamente, permitindo que ela sinta alguma empatia pelo jovem outrora idealista que amadurece através de muito sofrimento. No entanto, este não é o único ponto positivo deste longa-metragem que oferece trabalhos competentes de direção de arte e fotografia, pois a atuação de Rocher é bastante consistente. O ator compõe o jovem soldado de maneira a expor sua fragilidade emocional sem cair na armadilha do soldado estereotipado, algo que ajuda a conceder o máximo de veracidade possível à trama.

Baseado na obra homônima de Gabriel Chevallier, “O Medo” leva para as telas um retrato comovente da Primeira Guerra Mundial, que devastou a Europa e deixou a Alemanha numa grave crise econômica que, aliada ao sentimento de fracasso causado pela derrota, possibilitou o fortalecimento do regime nazista que culminou com a eclosão de um conflito ainda pior, a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945).

Avaliação Ana Carolina Garcia

Nota 4