Festival do Rio 2016: ‘Vermelho Russo’

Longa integra a Mostra Première Brasil: Competição Longa de Ficção.

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08 de outubro de 2016

Na última sexta-feira, dia 07, o Festival do Rio abriu a Mostra Première Brasil: Competição Longa de Ficção com a estreia mundial de “Vermelho Russo” (2016), coprodução brasileira e russa inspirada no diário da atriz e escritora Martha Nowill, publicado na revista Piauí em março de 2008.

Martha Nowill e Maria Manoella em cena.

Martha Nowill e Maria Manoella em cena.

Com direção de Charly Braun, este longa mostra a trajetória de Marta (Nowill) e Manu (Maria Manoella), duas amigas que viajam para a Rússia para que possam se reinventar na carreira artística, aprofundando-se num curso de teatro com a técnica Stanislavski de interpretação. Mas a distância de casa, a pressão do curso e a convivência intensa testam os limites da amizade, levando-as a uma situação conturbada e quase insustentável na gélida Moscou.

Um dos pontos altos deste longa é a sintonia de seu elenco, que ajuda a conceder o máximo de veracidade possível a cada cena, principalmente nas de maior carga dramática. No entanto, dentre todos os atores, o grande destaque é Martha Nowill, com uma composição bastante rica capaz de transmitir à plateia toda a sensibilidade e espontaneidade de sua personagem, o que acaba por conceder leveza à produção.

Martha Nowill é o grande destaque do elenco.

Martha Nowill é o grande destaque do elenco.

“Vermelho Russo” surpreende por sua estética caprichada, que está acima do padrão de qualidade do cinema brasileiro, oferecendo belíssimas imagens ao espectador através do trabalho competente do diretor de fotografia Alexandre Samori, que explora cada detalhe de cenários e locações com uma eficiência ímpar, exprimindo em suas imagens as sensações das protagonistas, desde as de felicidade na chegada à cidade ao sufocamento do quarto em que dividem, imposto pela convivência e suas diferentes personalidades.

Com um roteiro redondinho assinado por Braun e Nowill, “Vermelho Russo” equilibra com muita segurança a linguagem de documentário com a de ficção, entregando ao espectador um trabalho consistente e uma pequena pérola desta edição do Festival do Rio.


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