Festival do Rio 2017: ‘Prevenge’

Dirigido, roteirizado e protagonizado por Alice Lowe, longa integra a Mostra Midnight Movies.

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08 de outubro de 2017

Cada vez mais as mulheres estão ganhando espaço dentro da indústria do entretenimento, não apenas na americana. Mas, assim como acontece com os homens, nem sempre seus trabalhos resultam em produtos de qualidade inquestionável – a diferença é que analisá-los independentemente do gênero de seus idealizadores se tornou quase uma afronta nos dias atuais. É o caso de “Prevenge” (Idem – 2016), um dos títulos selecionados para a Mostra Midnight Movies da 19a edição do Festival do Rio, que acontece até o próximo dia 15.

O filme foi exibido pela primeira vez no Festival de Veneza 2016 (Foto: Divulgação).

O filme foi exibido pela primeira vez no Festival de Veneza 2016 (Foto: Divulgação).

Dirigido, roteirizado e protagonizado por Alice Lowe, o filme conta a história de uma mulher no sétimo mês de gestação que acredita ser mentalmente controlada pelo feto. Mergulhada no caos emocional movido pelo sentimento de vingança que nutre desde a morte de seu companheiro, Ruth (Lowe) segue uma lista de vítimas que ilustra o que pode ser chamado de “livro macabro do bebê”, assassinando um por um de acordo com a “vontade” da menina.

Classificado como drama e comédia, “Prevenge” falha incrivelmente no primeiro, pois é uma comédia de erros com roupagem de telefilme que desperdiça uma premissa interessante que renderia muito bem na tela se produzida com o mínimo de esmero. Isso porque a trama se desenvolve por meio de soluções narrativas fáceis, permanecendo na superfície durante todo o tempo, sobretudo por não trabalhar com afinco o distúrbio que acomete sua protagonista.

Alice Lowe assume jornada tripla nesse projeto: diretora, roteirista e protagonista (Foto: Divulgação).

Alice Lowe assume jornada tripla nesse projeto: diretora, roteirista e protagonista (Foto: Divulgação).

Não bastasse isso, Alice Lowe não convence como psicopata nem mesmo como uma mulher com sede de vingança. Oferecendo uma atuação insossa e inexpressiva, Lowe joga diversas pás de cal no projeto que ela mesma idealizou, transformando-o em algo incomodamente risível por tentar condensar o mal em sua essência na menina, que ganha uma voz digna de personagens de uma espécie de versão Halloween do “Looney Tunes” (Idem – desde 1984). Por essa razão, frases supostamente de efeito proferidas pela menina soam como nonsense – “Solidão é a pior coisa. Felizmente, você não estará sozinha. Você tem a mim”, por exemplo.

Os diálogos entre mãe e filha são primários e ganham contornos desastrosos em diversas situações, sobretudo quando Ruth compara uma criança mimada que exige dos pais um PlayStation de presente com as ordens de matar de sua filha. Assim sendo, surge uma contradição do roteiro que deixa de tratar a situação como distúrbio para levá-la ao campo da permissividade materna, algo evidente se compararmos essa frase com as conversas entre Ruth e sua médica, sobretudo próximo ao final desse longa-metragem orçado em US$ 104 milhões – até agora arrecadou aproximadamente US$ 94 milhões no mercado internacional.

Como diz o título, uma junção de “pregnancy” e “revenge” (gravidez e vingança), “Prevenge” é um filme sobre distúrbios psiquiátricos causados pela dificuldade de superação de um grande trauma do passado, encontrando na solidão o combustível para praticar o mal. Pretensioso, o longa é incapaz de se sustentar enquanto obra cinematográfica.


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