Filhos de Bach

por

09 de junho de 2017

Histórias de life changing, especialmente envolvendo crianças consideradas casos perdidos, são sucesso garantido nas telonas brasileiras. A produção alemã-brasileira “Filhos de Bach” segue a fórmula de um adulto que ajuda crianças a mudarem de vida e acaba mudando também a sua própria. Um professor de música alemão chamado Marten (Edgar Selge) chega a Ouro Preto, no Brasil, para buscar uma partitura original composta por um dos filhos de Bach, deixada de herança por um amigo de infância, e tem seus pertences roubados. O mineiro Candido (Aldri Anunciação), única pessoa da cidade que fala alemão, surge para ajudá-lo e aproveita para incentivá-lo a dar aulas de música para as crianças do centro socioeducativo juvenil. Com o tempo, Marten se adapta à rotina brasileira e redescobre o prazer e a alegria de ensinar crianças que antes não estavam seguindo por um bom caminho.

Escrito e dirigido por Ansgar Ahlers, “Bach in Brazil” (no original) é aquele típico filme que pega o público pela emoção. Com roteiro de soluções fáceis e rápidas, quase mágicas, que subestimam a inteligência do espectador, Ahlers apresenta uma história leve e simpática com humor pueril. Tudo acontece de maneira tão simples que mal há choques culturais entre Marten e os moradores de Ouro Preto, a não ser pela dificuldade de comunicação pelas línguas distintas, o estilo das roupas e a organização (e falta de). A interação entre diferentes culturas é tão natural que, se não fosse o idioma, em alguns momentos quase esqueceríamos que Marten é alemão. Narrados pelo menino Fernando (Pablo Vinícius), o passado de altos e baixos do professor e a trajetória redentora dos personagens durante o filme ocorrem de forma lúdica numa espécie de mapa animado.

Como geralmente acontece nesse tipo de longa, as atuações não são prioridade. Com exceção de Edgar Selge, Franziska Walser e uma criança ou outra, a interpretação do elenco soa forçada e, por vezes, caricata para conduzir os alívios cômicos, como a repetição cansativa do que se tornam bordões “Candido acha tudo” e “No Brasil, tudo é possível”. Devido ao seu tom inocente, “Filhos de Bach” é um filme que envolve o seu público-alvo e lhe põe um sorriso do rosto. É bonito ver o desenvolvimento da relação afetiva entre o professor e os alunos, bem como a evolução comportamental destes. Apesar das saídas fáceis e excesso de mensagens, o longa é satisfatório dentro daquilo a que se propõe e deixa uma pontinha de esperança no ar, coisa que o brasileiro precisa muito nesse momento.

Filhos de Bach (Bach in Brazil)

Brasil / Alemanha – 2017. 91 minutos.

Direção: Ansgar Ahlers

Com: Edgar Selge, Aldri Anunciação, Franziska Walser, Thais Garayp e Stepan Nercessian.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 3