Filme de assalto renova a relação do cinema francês com o filão policial

'Braqueurs' aposta na adrenalina, preservando a riqueza dramática e as contradições de seus homens armados, numa estética que vem surpreendendo a Europa ao evocar 'Cidade de Deus'

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10 de maio de 2016

Amante do gênero policial e, por isso mesmo, carente de filmes capazes de renovar essa linhagem ao unir crítica social à adrenalina, o cinema francês foi tomado de assalto (ok, é trocadilho, mas termo mais preciso não há) por Braqueurs, thriller de Julien Leclercq que vem lotando salas país adentro, atraindo sobretudo plateias de imigrantes, com destaque para marroquinos e argelinos. As variadas etnias da trupe de atores, encabeçada pelo sempre surpreendente Sami Bouajila (de Dias de Glória), tem sido um fator de atração a mais para pagantes falantes de outras línguas, que mobilizam as salas de exibição da França e saem anestesiados por sequências de tiroteio que, há tempos, Hollywood não faz. A referência usada por seu realizador foi o cult Fogo contra Fogo (1995), de Michael Mann. E a mimese saiu caprichada. Mas o colorido multicultural e a discussão sobre exclusão financeira no roteiro valeram uma analogia também com Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles, evocado em ensaios de críticos que andam enaltecendo Leclercq.

Na trama, o ladrão Yanis (Sami) e seu bando recorre aos serviços de um perito em operações especiais, Eric (o genial Guillaume Gouix, de Attila Marcel), para roubar um carro-forte. O crime rende milhões. Mas o deslize de um dos criminosos vai custar caro para todos, derramando litros de sangue e queimando arrobas de pólvora, em cenas filmadas com realismo quase documental, atentas a artimanhas do melodrama.

Avaliação Rodrigo Fonseca

Nota 4