Filmes de terça

Denzel Washington dá lições sobre como matar com estilo

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28 de outubro de 2014

Cine Holliúdy

De Halder Gomes (Brasil, 2012)

Embora venha emplacando longas em mostras desde os anos 1990, quando um mestre de nome Rosemberg Cariry lançou “Corisco & Dadá” (1996), e tenha celebrizado Karim Aïnouz (“O céu de Suely”) mundialmente, o Ceará ganhou um novo fôlego comercial na telona com o lançamento de “Cine Holliúdy”. A comédia pilotada pelo cineasta Halder Gomes tornou-se o maior fenômeno de bilheteria de seu estado, destronando até o reinado de “Titanic” na arrecadação nas salas de Fortaleza e arredores. Foram quase 400 mil pagantes apenas em solo cearense. Edmilson Filho brilha na trama, que se ambienta na década de 1970, no papel de um exibidor do interior do Nordeste. Ele tenta manter viva a tradição dos cinemas de rua frente à concorrência da televisão. O bom humor nos diálogos, falados em “cearencês”, sustentam a beleza da produção, que conta com uma participação do muso brega Márcio Greyck, cantor de “Aparências”.

Canal Brasil, 17h

cine holiudy

Protegendo o inimigo

“Safe house”. De Daniel Espinosa (EUA, 2012)

Confiante na empatia que Denzel Hayes Washington Jr. tem com o público, a Universal Pictures  lançou esta produção de US$ 85 milhões num circuito amplo e embolsou US$ 208 milhões nas bilheterias. Nesta trama, cabe ao novato da CIA Matt Weston (Ryan Reynolds, sempre deficiente) fazer o agente renegado Tobin Frost (Washington, impecável) chegar em segurança a seus superiores, à revelia da horda de assassinos que quer sua cabeça. Mas, nos deslocamentos dos personagens pela África do Sul, há situações que a montagem truncou, dificultando a compreensão. Tudo muda, porém, após uma sequência de fuga (pautada pela vertigem) num estádio de futebol. A partir dela, este thriller rodado pelo sueco de origem chilena Daniel Espinosa, encontra um caminho — o da brutalidade — para narrar lutas e tiroteios com uma desenvoltura que o cinema de ação há tempos não  via. Guilherme Briggs é o dublador habitual de Washington no Brasil.

TNT, 22h30m

 

 

 

Safe house

Terapia de risco

“Side effects”. De Steven Soderbergh (EUA, 2013)

Envolvido hoje com a série “The Knick”, o realizador Steven Soderbergh recebeu uma indicação ao Urso de Ouro em Berlim por este thriller sobre a indústria farmacêutica dos EUA. Soderbergh, deixa um sabor de passado na boca, um gosto de “Repulsa ao sexo” (1965), de Roman Polanski, em sua narrativa tensa. Até os enquadramentos da câmera, operada pelo próprio Soderbergh, aproximam os dois filmes, vinculados pela tradição (e pela forma) do thriller psicológico. Aqui, Emily Taylor (Rooney Mara) é capaz de reagir com brutalidade ao toque dos homens, em especial ao do marido, Martin (Channing Tatum). Ele acaba de sair da cadeia, após quatro anos, mas é um sujeito de boa índole. Ela sabe disso e chegou a tentar suicídio pelo desespero da ausência de Martin. Mas uma droga mudou tudo — é o que parece. Uma medicação receitada pelo Dr. Jonathan (Jude Law, perfeito) para domar a ansiedade de Emily altera toda a química de seu corpo, até que Emily, num estado de letargia, crava uma faca em Martin. Tudo isso acontece numa espécie de preâmbulo, até Soderbergh engatar sua linha autoral e jogar o espectador numa montanha-russa de enganos.

MAX, 0h50m

Side effects