Filmes na tv deste domingão

Suspense garantido com Brian De Palma num dia coroado por Paul Thomas Anderson e pela adrenalina de Bruce Willis

por

09 de novembro de 2014

Joaquin Phoenix

O Mestre

“The master”. De Paul Thomas Anderson (EUA, 2012)

O melhor trailer de 2014, atualmente em cartaz nos cinemas é o do policial “Vício inerente”, uma produção que retoma a feliz parceria entre o diretor Paul Thomas Anderson e o ator Joaquin Phoenix. Astro de filmes festejados como “Ela” (2013), Phoenix ajudou Anderson a construir alguns dos planos mais arrebatadores de uma carreira que já incluía produções memoráveis como “Boogie nights” (1997) e ‘Sangue negro” (2007) em “O mestre”. Neste drama ambientado pós-Segunda Guerra, com um olhar afiado sobre a Cientologia (a seita de fundo sacro mais polêmica entre as religiões cultuadas por astros de Hollywood), Phoenix é Fred, um bêbado contumaz, incapaz de manter uma vida ordenada. Mas sua rotina pode mudar depois que ele é abraçado por um radialista com ares de pastor vivido por Philip Seymour Hoffman. Indicado a três Oscars, o longa-metragens rendeu a seu realizador o Leão de Prata no Festival de Veneza, além do prêmio da crítica, votado pela Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica (Fipresci). Em Veneza, Phoenix e Hoffman ganharam um prêmio coletivo de melhor atuação.

MAX, 16h30m e 23h45m

Duro de matar 2013

Duro de matar: Um bom dia para morrer

“A goord die to die hard”. De John Moore (EUA, 2013)

Filmado na Hungria, ao custo de US$ 92 milhões, “Duro de matar: um bom dia para morrer” (“A good day to die hard”) faturou apenas US$ 67 milhões em solo americano, contabilizando US$ 237,3 milhões pelo mundo afora. No total, sua renda chegou a US$ 304,6 milhões – cifras de estourar rojação para um filão tão combalido quanto osaction thrillers. Apesar de não ter sido, nos EUA, o estouro de boiada que os exibidores daquele país esperavam, o longa comprova a vitalidade da franquia inspirada na literatura de Roderick Thorp (1936-1999). Assim como o diretor John McTiernan fez no “Duro de matar” original, Moore investe na claustrofobia, concentrando sua história em ambientes fechados, enferrujados, cobertos por vidro moído (marca registrada da franquia). É assim que o cineasta retrata a Moscou para onde McClane (Willis, dublado por Eduardo Borgerth) parte para encontrar o filho com quem rompeu vínculos, Jack (Courtney). Policial veterano de Nova York, o personagem de Willis (calibrado no cinismo) é informado de que Jack está no xilindró, por envolvimento com a máfia. Mas uma vez na Rússia, ao encontrar Jack em meio a uma operação criminosa de exfiltração semelhante aos assaltos do genial “Fogo contra fogo” (1995), de Michael Maan, McClane descobre a ligação de seu guri com a CIA e se junta a ele a fim de reaver um arquivo digital capaz de dar acesso a armamentos nucleares da extinta URSS

Telecine Premium, 20h

Dressed to kill 13131

Vestida para matar

“Dressed to kill”. De Brian De Palma (EUA, 1980)

Herdeiro da tradição cinéfila do medo celebrizada por sir Alfred Hitchcock, Brian Russell De Palma, dedicado a relativizar o valor absoluto da imagem, foi às raias do kitsch com “Vestida para matar” (“Dressed to kill”). Rodada em Nova York em outubro de 1979, a produção custou US$ 6,5 milhões e faturou US$ 31 milhões nos EUA. Clichês e estereótipos ligados às reflexões sobre a liberação sexual integram o roteiro escrito pelo cineasta, a começar da aparição de uma femme fatale (ou quase isso) de óculos escuros. Ela encarna o posto de Cordeiro de Deus — livrando NY de seus pecados. Mas a aposta em caricaturas é o caminho usado por De Palma para desconstruir a cartilha dos thrillers de Hollywood e abrir uma reflexão sobre perversão. Sua ponte com o passado do cinema é a presença de Angie Dickinson, atriz imortalizada em clássicos como “Onde começa o Inferno” (1959) e “Candelabro italiano” (1962). Seu ar de mocinha dá lugar a uma voracidade sexual com sabor de ressaca. No papel de Kate, Angie abre “Vestida para matar” vivendo uma estripulia erótica com um desconhecido em um táxi. Após a transa, ela é morta a golpes de navalha pela tal “mulher misteriosa”. Mas o crime é testemunhado por uma garota de programa (Nancy Allen, afrodisíaca). Kate tinha um psicanalista (Michael Caine) que pode solucionar o caso. Ou quase. De Palma está longe das telas desde 2012, quando dirigiu “Passion”.

Telecine Cult, 4h35m