Frida Y Diego

Espetáculo conta uma parte da vida conturbada dos pintores mexicanos Frida Kahlo e Diego Rivera cercado de muitos aparatos cênicos

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18 de janeiro de 2015

No espetáculo Frida Y Diego, em cartaz no Teatro Maison de France, nos chama a atenção o enorme profissionalismo e o grande cuidado da produção técnica, e artística, que envolve a construção de todo o espetáculo, liderada pelo ótimo trabalho de direção de produção de Mauricio Machado. Desde o ritual de preparação para iniciar a peça, passando por todo o esmero no projeto de vídeo e projeções de Jonas Golfeto – que amplia, e pinta, em proporções cinematográficas o belo e sofrido universo dos pintores Frida Kahlo e Diego Rivera, que nos arrebata em total contentamento de imagens.

Frida 1

Leona Cavalli e José Rubens Chachá na pele de Kahlo e Rivera

Escrito, sob encomenda, pela autora de novelas Maria Adelaide Amaral, Frida Y Diego nos é apresentado em formato de mosaico, onde cada uma das cenas, se apresentam como painéis independentes, atemporal, e que se fecham com começo, meio e fim. Onde alguns assuntos da conturbada relação deles são mais desenvolvidos, e explorados, do que outros. Este formato colabora com certa frieza na condução da dramaturgia, o que resvala também na direção de Eduardo Figueiredo, que acompanha a criação estanque do texto, no desenho cênico da encenação. Utilizando repetidamente os efeitos de black out para fechar as cenas, assim como na mudança dos interessantes cenários, bonitos figurinos e ambientes de Marcio Vinicius. Esse expediente ocorre praticamente cena a cena, quando são realizadas também mudanças significativas de mapa de luz de Laiza Menegassi – um pouco escuras, em muitos momentos-, projeções de imagens, e música ao vivo e mecânica, de Guga Stroeter.

José Rubens Chachá e Leona Cavalli_Foto de Gabriel Wickbold_0

O texto de Maria Adelaide Amaral investe na contação da história por módulos fechados em períodos distintos

Cercado de grande quantidade de elementos cênicos para contar a história do reencontro de Kahlo e Rivera após uma sofrida separação, podemos perceber que o bom trabalho dos atores Leona Cavalli e José Rubens Chachá fica também apenas na superfície, onde apresentam poucas filigranas, sutilezas, tensões, e tons mais fortes e profundos de embate. Assim, o jogo cênico entre eles, se divide equanimente entre as diversas trocas físicas de cenas e o contraceno. Frida Y Diego é um espetáculo de bom gosto, que nos apresenta um interessante painel sobre a rica e conturbada relação amorosa entre dois dos maiores pintores mexicanos do século 20, e de todos os tempos.

Leona Cavalli_Foto Gabriel Wickbold_0

O apuro visual e a projeção de imagens são exploradas intensamente no espetáculo Frida Y Diego


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