Góias sai consagrado na 22ª Mostra de Tiradentes

Longas-metragens premiados na Mostra Aurora e Olhos Livres vieram do cenário efervescente de Goiânia

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28 de janeiro de 2019

GOIÁS SAI CONSAGRADO DA MOSTRA TIRADENTES COM PRÊMIOS PARA “VERMELHA”, NA AURORA, E “PARQUE OESTE”, NA OLHOS LIVRES

20190126- TIRADENTES/MG  - 22ª MOSTRA TIRADENTES -  VENCEDORES DAS MOSTRAS COMPETITIVAS -  BetoStaino/Universo Produção

20190126- TIRADENTES/MG – 22ª MOSTRA TIRADENTES – VENCEDORES DAS MOSTRAS COMPETITIVAS – BetoStaino/Universo Produção

Na categoria de curta-metragem, paulista “Negrum3” venceu no Júri Popular e levou também o Prêmio Canal Brasil de Curtas; no Júri da Crítica, o ganhador foi o paraibano “Caetana”; o Prêmio Helena Ignez desta edição foi para a montadora Cristina Amaral e o melhor longa eleito pela votação do público foi “Meu nome é Daniel”

O cinema goiano foi o grande vencedor da premiação da 22ª Mostra de Cinema de Tiradentes. A cerimônia de encerramento, na noite de sábado (26 de janeiro), no Cine-Tenda, consagrou os longas-metragens “Vermelha”, de Getúlio Ribeiro, escolhido como melhor da Mostra Aurora pelo Júri da Crítica e ganhador do Troféu Barroco e de prêmios de parceiros do evento; e “Parque Oeste”, de Fabiana Assis, que levou o Troféu Carlos Reichenbach, dado pelo Júri Jovem ao melhor título da Mostra Olhos Livres. (confira entrevista com Fabiana aqui no Almanaque Virtual!)

“Vermelha” foi realizado pela produtora Dafuq Films, fundada por jovens formados no curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás. No texto de justificativa, o Júri da Crítica explicou a escolha do filme “pelo investimento e confiança nas bordas do acontecimento, nos lembrando das potências políticas  da opacidade, e esculpindo uma ação metafórica através de sua materialização em ideias sonoras e pictóricas, fazendo com que a economia gramática do filme exprima sua ideia motriz em cada quadro”.

Ao receber o Troféu Barroco no palco do Cine-Tenda, Getúlio Ribeiro estava com sua equipe de produção e personagens do filme – pai, mãe, irmã e um amigo da família. “Levamos esse prêmio sem nenhuma pretensão!”, comemorou Gaúcho, pai do diretor e ator principal de “Vermelha”. E completou: “Que saudade da minha cachorra Vermelha!”, em referência à personagem-título do longa. Getúlio, emocionado, foi também breve em sua fala: “Vou deixar aqui só no cumprimento”.

Já “Parque Oeste” resgata imagens de um ataque da Polícia Militar de Goiânia em 2005 para destruir uma ocupação urbana. A diretora Fabiana Assis, ao receber o prêmio, definiu seu trabalho como “um filme que, acima de tudo, fala de esperança” e homenageou Eronilde Nascimento, sua personagem principal no documentário.

Na justificativa pela escolha, o Júri Jovem defendeu o “cuidado e dignidade de se filmar o sofrimento, sem suavizar o horrível de suas imagens, ou nele se estagnar, por mostrar um futuro a ser construído por corpos que, mesmo atravessados pelo risco constante do presente, seguem adiante, e por ressoar o tremor da vida que resiste, sempre, porque essa é sua única possibilidade”.

Prêmio Helena Ignez 2019, oferecido pelo Júri da Crítica a um destaque feminino em qualquer função nos filmes da Aurora e Foco, foi para a montadora Cristina Amaral, pelo trabalho realizado em “Um Filme de Verão”, de Jô Serfaty. O Júri da Crítica elogiou Cristina por seu “trabalho de excelência, que  se constrói com precisão de olhar e fluidez entre os planos, como uma voz e presença ímpar na montagem cinematográfica, que atravessa mais de 30 anos no cinema brasileiro como uma potência que se reitera e atualiza numa execução brilhante”.

Pela Mostra Foco, o Júri da Crítica escolheu o curta-metragem “Caetana”, produção da Paraíba com direção de Caio Bernardo. O prêmio se deu, segundo os integrantes do júri, “pelo investimento e confiança nas bordas do acontecimento, nos lembrando das potências políticas  da opacidade, e esculpindo uma ação metafórica através de sua materialização em ideias sonoras e pictóricas, fazendo com que a economia gramática do filme exprima sua ideia motriz em cada quadro”.

O Prêmio Canal Brasil de Curtas, que oferece R$ 15 mil a um curta também da Foco, foi para “Negrum3” (SP), de Diego Paulino. Este mesmo filme levou prêmio na categoria de Júri Popular.

Em longa-metragem, o Júri Popular escolheu a produção carioca “Meu Nome é Daniel”, de Daniel Gonçalves. O diretor estava no Cine-Tenda e agradeceu o reconhecimento a seu trabalho. “Deve ser a primeira vez que uma pessoa com deficiência conta a sua própria história no cinema”, celebrou.

CONFIRA OS PREMIADOS DA 22ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES E A JUSTIFICATIVA PARA OS PRÊMIOS CONCEDIDOS PELOS JÚRIS OFICIAIS:

– Melhor longa-metragem Júri Popular: Meu Nome é Daniel (RJ), de Daniel Gonçalves.

Troféu Barroco;

Da Mistika: R$ 20 mil em serviços de finalização

– Melhor curta-metragem Júri Popular: Negrum3 (SP), de Diego Paulino.

Troféu Barroco;

Da Ciario: R$ 5 mil em locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinaria da Naymar;

Do CTav: 20 horas de mixagem e empréstimo de câmera por duas semanas;

Da Mistika: R$ 6 mil em serviços de finalização

– Melhor curta-metragem pelo Júri da Crítica, Mostra Foco: Caetana (PB), de Caio Bernardo. 

“Pelo investimento e confiança nas bordas do acontecimento, nos lembrando das potências políticas  da opacidade, e esculpindo uma ação metafórica através de sua materialização em ideias sonoras e pictóricas, fazendo com que a economia gramática do filme exprima sua ideia motriz em cada quadro.”

Troféu Barroco;

Da Ciario: R$ 5 mil em locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinaria da Naymar;

Do CTav: 20 horas de mixagem e empréstimo de câmera por duas semanas;

Da DOT Cine: duas diárias de correção de cor e máster DCP para curta de até 20 minutos;

Da ETC Filmes: Serviço completo de acessibilidade – legenda descritiva, audiodescrição e Libras para um longa de até 20 minutos.

– Melhor longa-metragem pelo Júri Jovem, da Mostra Olhos Livres, Prêmio Carlos Reichenbach: Parque Oeste (GO), de Fabiana Assis. 

“Pelo cuidado e dignidade de se filmar o sofrimento, sem suavizar o horrível de suas imagens, ou nele se estagnar, por mostrar um futuro a ser construído por corpos que, mesmo atravessados pelo risco constante do presente, seguem adiante, e por ressoar o tremor da vida que resiste, sempre, porque essa é sua única possibilidade.”

Troféu Barroco;

Da Ciario: R$ 10 mil em locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinaria da Naymar;

Da Cinecolor: 40 horas de mixagem;

Da Dotcine: máster DCP para longa de até 120 minutos 

– Melhor longa-metragem da Mostra Aurora, pelo Júri da Crítica: Vermelha (GO), de Getúlio Ribeiro. 

“Por manejar, através da imprevisibilidade de sua condução, uma sutil unidade de medida para si e por conceber assim um dinâmico exercício cosmodoméstico sobre a ideia de narração, edificando  uma vigorosa investigação de um Brasil sem mar, conjugando humor e experimentação estrutural.”

Troféu Barroco;

Da Ciario: R$ 10 mil em locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinaria da Naymar;

Da Cinecolor: 40 horas de mixagem;

Da ETC Filmes: Serviço completo de acessibilidade – legenda descritiva, audiodescrição e Libras para um longa de até 100 minutos

Da Dotcine: máster DCP para longa de até 120 minutos 

– Prêmio Helena Ignez para destaque feminino: Cristina Amaral, montadora de Um Filme de Verão (RJ). “Pelo trabalho de excelência, que  se constrói com precisão de olhar e fluidez entre os planos, como uma voz e presença ímpar na montagem cinematográfica, que atravessa mais de 30 anos no cinema brasileiro como uma potência que se reitera e atualiza numa execução brilhante.” 

– Prêmio Canal Brasil de Curtas: Negrum3 (SP), de Diego Paulino.

 

SOBRE O EVENTO

22ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES

PLATAFORMA DE LANÇAMENTO DO CINEMA BRASILEIRO

Considerada a maior manifestação do cinema brasileiro contemporâneo em formação, reflexão, exibição e difusão. Busca refletir e debater, em edições anuais, o que há de mais destacado e promissor na nova produção audiovisual brasileira, em longas e curtas, em qualquer gênero e em formato digital. A programação é oferecida gratuitamente ao público e inclui exibição de filmes brasileiros (longas e curtas), pré-estreias, homenagens, debates, encontros com a crítica, o diretor e o público, oficinas, seminário, mostrinha de cinema, atrações artísticas.

TODA PROGRAMAÇÃO É OFERECIDA GRATUITAMENTE AO PÚBLICO.