Grammy 2019 e recordes dos vencedores

Precisamos falar sobre os recordes do Grammy 2019

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11 de fevereiro de 2019

Screenshot_20190211-102853Foi uma noite de recordes e muitas primeiras vezes no Grammy 2019:

Foi a primeira vez que uma música de rap ganhou nas categorias de Melhor Canção (letra) e Melhor Gravação (pacote completo da música) para Childish Gambino (Donald Glover) pelo libelo antirracista “This Is America”.

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Foi a primeira vez que os artistas do rap, sabendo bem que todo ano são boicotados nas categorias principais, independente de levar todos os prêmios especializados das categorias específicas de rap, devolveram o boicote não comparecendo ao Grammy! Inclusive o próprio grande recordista da noite: Childish Gambino. Porém… Drake, um dos autores do boicote coletivo, acabou comparecendo, e fez um discurso anti-premiações, dando o troco muito bem dado no racismo do Grammy e foi CENSURADO, quando o programa cortou seu microfone — e o próprio programa demonstrou suas contradições ao dar melhor álbum da noite para a cantora country Kacey Musgraves, logo após dar o recorde de melhor gravação para Childish Gambino.

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Lembremos que a discriminação do Grammy não se limita ao RAP. Lembremos que até o álbum considerado um dos maiores da HISTÓRIA DA MÚSICA, o “Lemonade” de Beyoncé, perdeu para Adele com seu “21”, no que a própria Adele em seu discurso de agradecimento disse que a vencedora de verdade era Beyoncé! Aliás, até a apresentadora Alicia Keys fez uma brincadeira crítica com John Mayer no palco quando referenciaram o prêmio que a música dele “Daughters” ganhou de “If I Ain’t Got You” em 2004, quando Mayer quebrou o prêmio em 2 e mandou gravar que Alicia ganhou na metade dela, e ontem à noite eles reuniram as 2 metades pela primeira vez em mais de 10 anos!

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Aliás, também foi a primeira vez que uma mulher negra apresentou a Cerimônia: Alicia Keys (que ainda abriu convidando outras 4 mulheres poderosas ao palco: mais duas mulheres negras, a ovacionadíssima eterna primeira-dama e possível futura presidenta dos EUA Michelle Obama e a atriz/produtora Jada Pinkett Smith; a latina possivelmente mais poderosa da música americana, Jennifer Lopez; e o nome do ano graças ao filme “Nasce Uma Estrela”, Lady Gaga).

Por falar nas mulheres, a maioria das indicações teve maioria de indicadas mulheres, com alguns destaques ímpares como Brandi Carlile, que talvez pertencesse mais ao cenário independente e graças a uma plataforma como o GRAMMY pôde ser melhor apresentada ao grande público mundial.

Cito o “El Pais”:
“A poderosa intérprete, de 38 anos, era a mulher mais indicada da noite, com seis categorias, desafiando astros do rap e pop com sua música de raízes americanas. Em meio aos excessos do setor fonográfico, Carlile é uma mulher abertamente homossexual que vive numa fazenda com sua mulher e seus dois filhos, e irradia tanta simplicidade como força. Sua atuação ao vivo fez o Staples Center retumbar: “Saí do armário aos 15 anos no colégio e lhes garanto que nunca me convidaram a nenhuma festa nem baile”, disse Carlile quando agradeceu emocionada o terceiro prêmio. Carlile definiu a música tradicional norte-americana como “uma ilha de brinquedos inadaptados” onde gosta de brincar. À imprensa, explicou o que queria dizer: “A compartimentação do gênero não é totalmente justa, mas esta categoria abrange gente que não encontra um lugar e lhes dá uma plataforma”.

Também foi a noite das devidas homenagens em vida, como quando J-Lo, Ne-Yo e Smokey Robinson fizeram uma homenagem à gravadora de soul e R&B Motown. Ou mesmo o aniversário de 75 anos da homenageada Diana Ross (cujo grupo Supremes era ícone de vendas da Motown), e a cantora country Dolly Parton.

Veja os principais vencedores do Grammy:

Álbum do ano: “Golden hour” – Kacey Musgraves

Gravação do ano: “This is America” – Childish Gambino

Melhor canção: “This is America” – Childish Gambino

Melhor artista novo: Dua Lipa

Melhor performance pop de duo ou grupo: Lady Gaga e Bradley Cooper – “Shallow”

Melhor disco de country: “Golden hour” – Kacey Musgraves

Melhor música de rap: “God’s plan” – Drake

Melhor disco de r&b: “Her” – H.E.R.

Melhor disco de rap: “Invasion of privacy” – Cardi B

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/02/11/cultura/1549848395_893327.html

Principais vencedores da pré-cerimônia:

Melhor Álbum de comédia: “Equanimity & The Bird Revelation” – Dave Chapelle

Melhor Álbum de Teatro Musical:”The Band’s Visit” – The Band’s Visit

Melhor Álbum de Música Alternativa: “Colors” – Beck

Melhor Composição Instrumental: “Blut und boden (Blood and soil)” – Terence Blanchard

Melhor Engenharia de Som de Álbum Não-Clássico: “Colors” – Beck

Melhor Álbum Instrumental Pop:”Steve Gadd Band” – Steve Gadd

Melhor Compilação de Trilha Sonora para Mídia Visual: “The greatest showman” – “O rei do show”

Melhor Trilha Sonora para Mídia Visual: “Pantera Negra” – Ludwig Goransson (compositor)

Melhor Canção Composta para Mídia Visual: “Shallow” – Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando e Andrew Wyatt

Melhor Álbum Folk: “All ashore” – Punch Brothers

Melhor Álbum de Pop Latino: “Sincera” – Claudia Brant

Melhor Clipe: “This is America” – Childish Gambino

Melhor Vídeo Musical Longo:”Quincy” – Quincy Jones, Alan Hicks e Rashida Jones

Melhor Performance Solo de Pop:”Joanne (Where do you think you’re goin’?)” – Lady Gaga

Melhor Álbum Pop Vocal:”Sweetener” – Ariana Grande

Melhor Gravação Dance: “Electricity” – SilkCity e Dua Lipa (com participação de Diplo)

Melhor Performance de Rock:”When bad does good” – Chris Cornell

Melhor Álbum de Rock: “From the fires” – Greta Van Fleet

Melhor Canção de Rock: “Masseduction” – St. Vincent (compositores: Jack Antonoff e Annie Clark)

Melhor Performance de Rap:”King’s dead” – Kendrick Lamar, Jay Rock, Future e James Blake; “Bubblin” – Anderson Paak

Produtor do Ano, Não-Clássico: Pharrell Williams