Green Room

Novo thriller de Jeremy Saulnier promete agradar muito os fãs do gênero

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17 de outubro de 2015

Exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2015, o filme de terror “Green Room” mistura Punk Rock, Neonazismo e elementos gore numa premissa bastante conhecida pelos fãs do gênero: a queima de arquivo de jovens que presenciaram um crime. Só que, diferentemente de longas como “O Albergue” e “O Colecionador de Corpos”, em que os protagonistas são trancados num local para serem abatidos, aqui eles mesmos se trancam no “quarto verde” do título ao perceberem que correm perigo do lado de fora.

A banda de Punk Rock The Ain’t Rights – composta pela cantora Tiger (Alia Shawkat), o guitarrista Sam (Callum Turner), o baixista Pat (Anton Yelchin) e o baterista Reece (Joe Cole) – decide aceitar um show em um bar obscuro e isolado de skinheads no interior do Oregon depois de uma apresentação que deu errado. Após o show (que contou com um cover atrevido de “Nazi Punks Fuck-off” dos Dead Kennedys), o quarteto dá de cara com a cena de um assassinato que acabou de acontecer no camarim e são impedidos pelo dono e seus capangas de deixar o local. O que as sinistras figuras do bar não esperavam é que esses jovens fossem testemunhas difíceis de serem “apagadas”. Juntando-se a eles na luta pela sobrevivência, está Amber (Imogen Poots numa interpretação positivamente inusitada), melhor amiga da menina que foi morta, que tem a vantagem de já conhecer a gangue Neonazista. Num violento jogo de gato-e-rato com os capangas, os chamados Cadarços Vermelhos, o agora quinteto tenta escapar de seus executores com planos de fuga inexperientes que resultam numa carnificina orquestrada pelo dono do bar, Darcy Baker – Patrick Stewart na pele (e careca) de um sádico e perverso líder da citada gangue Neonazista. Se na série “X-Men” Stewart louva o diferente como mutante e líder de outros mutantes, em “Green Room” ele tem um papel diametralmente oposto que exalta a supremacia branca e sente completa repulsa pelos que dela divergem; a mesma repulsa que o público sente em relação ao personagem interpretado pelo ator de forma assustadoramente brilhante.

Jeremy Saulnier, que há dois anos exibiu o thriller “Ruína Azul” também em Cannes, mostrou mais uma vez o seu talento para o gênero como roteirista e diretor, e apresentou um filme intrigante repleto de reviravoltas que dificulta muito a tarefa do espectador de se entediar, já que a trama prende a atenção do início ao fim. Além de alguns alívios cômicos bem empregados, Saulnier ainda faz uma interessante comparação sobre táticas de guerra derivada de uma história de paintball contada por Pat em dois momentos críticos, que serve de gancho para a última guinada do enredo. Sim, há clichês em “Green Room”, mas nem de longe diminuem a sua qualidade e relevância como terror ou thriller, e desagradam os cinéfilos – pelo contrário, os clichês são essenciais para o desenvolvimento de mais uma obra muito bem executada de Saulnier.

 

Festival do Rio 2015 – Midnight Movies

Green Room (Idem)

EUA – 2015. 95 minutos.

Direção: Jeremy Saulnier

Com: Anton Yelchin, Imogen Poots, Patrick Stewart, Alia Shawkat, Joe Cole e Callum Turner.


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