Guardiões da Galáxia

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12 de dezembro de 2014

Quem diria que personagens não muito conhecidas nem dos próprios fãs, anárquicas e fora-da-lei, poderiam gerar uma das melhores adaptações de HQ dos últimos tempos? Talvez por isso que o quase desconhecido diretor/roteiristaJames Gunn e a equipe criativa dos estúdios Marvel puderam dar asas à imaginação e tomar liberdades frente ao material original, coisa que xiitas jamais permitiriam com personagens mais famosos. Com muita irreverência, finíssima ironia e aventura surreal, complementado por um visual inovador, a ficção Guardiões da Galáxia(Guardians of The Galaxy, 2014) acaba sendo o filme mais divertido do ano até agora.

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A começar por correr na contramão do que a Marvel andava fazendo. A receita de bolo era humanizar ao máximo os heróis, aumentar a identificação trazendo-os mais próximos da realidade do dia-a-dia. Até o mundo fantástico de Asgard de Thor ganhou um bom argumento para explicar magia de forma plausível, como tecnologia avançada além da compreensão do homem atual. As adaptações de quadrinhos estavam tão receosas em abordar aventuras intergalácticas que são parte vital de várias aventuras dos heróis, pois alienariam os fãs de cinema adquiridos até agora. Foi então o golpe de gênio: com anti-heróis criminosos e de péssima reputação, no limiar do certo e errado, uma série de infortúnios consegue uni-los numa prisão espacial de onde precisam escapar para… primeiramente ficarem ricos… e depois salvar o Universo no processo! Estes são o jovem terráqueo abduzido na infância Peter Quill ou Senhor das Estrelas (malandramente interpretado por Chris Pratt de Parks and Recreation), a ex-assassina arrependida criada pelo vilão Thanos, Gamora (na sensual pele verde de Zoe Saldana, a antes azulona de Avatar e a Uhura de Star Trek), o carismático e sarcástico guaxinim mercenário Rocket Raccoon (na voz do galã Bradley Cooper de Trapaça), a árvore gigante e de coração puro Groot (na voz de Vin Diesel de Velozes e Furiosos) e o violento e irracional Drax (Dave Bautista, ex-lutador de MMA). Valendo ressaltar grande elenco de coadjuvantes como Glenn Close, Benicio Del Toro, John C. Reilly, Lee Pace, Djimon Hounsou e a voz de Josh Brolin.

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Na verdade, o charme desta aventura bebe direto da fonte de sessão da tarde dos anos 80 como Indiana Jones, De Volta para o Futuro e até a amizade que nasce da rivalidade de O Clube dos Cinco e Inimigo Meu. Mesmo tendo tecnologia de ponta, explosões e efeitos 3D muito bem encaixados, o show de estilo e referências advém mais da parte artesanal: brilhante trilha sonora retrô (explicada pelo walkman levado junto na abdução do protagonista no passado), muitos cenários feitos à mão, figurino inventivo e cool, além da total quebra de expectativa em cena, até mesmo pela trilha inusitada, pois tudo o que se espera é ligeiramente surpreendido ao final de cada ato. Claro que há pequenas imperfeições, como algumas personagens construídos levianamente (Drax), ou coadjuvantes dispensáveis…, mas se perfeição não existe, esta obra transborda em autenticidade, coração (logo as personagens animadas em CGI como Rocket e Groot roubam todas as cenas) e frases de efeito, mil tiradas inesquecíveis que ficarão para o panteão do cinema.

 

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Curiosidade: a formação dos Guardiões no filme não é a original, e sim a mais atual, apesar de a maioria dos personagens já ter surgido décadas antes espalhados em outras HQs, como do Hulk. Mas há homenagens à formação original da década de 70 como a personagem de Yondu.


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