Estreias da semana | Hamlet – Processo de revelação | 8.1 no Teatro II do CCBB/RJ

Uma adaptação radical da peça de Shakespeare que investiga um dos mais poderosos personagens do teatro ocidental

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07 de janeiro de 2016

 

hamlet 6_ foto ismael monticelli

De 8 de janeiro a 28 de fevereiro, sobe à cena no Teatro II do CCBB a nova criação dos Irmãos Guimarães (DF) com dramaturgia e atuação de Emanuel Aragão, da Cia das Inutilezas (RJ). Em cena, uma adaptação radical da peça de Shakespeare, num diálogo ator/plateia que investiga de um dos mais poderosos personagens do teatro ocidental. Se todo o teatro ocidental tivesse que ser representado por um só personagem, qual seria o escolhido? Para muitos críticos, diretores e atores, seria Hamlet – criatura gestada por William Shakespeare na passagem do século XVI para o XVII. Hamlet – Processo de revelação”, colaboração dos irmãos Adriano e Fernando Guimarães com o carioca Emanuel Aragão, que estreia na sexta, 8 de janeiro, no Teatro II do CCBB, coloca em cena um único ator e convida a plateia a debater o personagem.

“’É o grande texto do teatro”, diz Adriano Guimarães. “O que tem nele de tão mobilizador? Não se consegue apreendê-lo facilmente, são quase infinitas as possibilidades de interpretação”.

Assim, Emanuel Aragão (que faz aqui mais uma colaboração com os Irmãos Guimarães, depois do espetáculo nada – 2012) está sozinho em cena e, a partir do mais famoso dos solilóquios de Hamlet – ser ou não ser -, abre um diálogo com a audiência. “São perguntas e respostas. E é nessa conversa do Emanuel com o público que a peça vai acontecendo”, define Adriano.

A montagem chega ao Rio depois de passar, em 2015, pelo Festival Cena Contemporânea de Brasília, pelo Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia e por uma temporada no Distrito Federal. “Há anos faço atualização de obras clássicas, como A Gaivota de Tchécov e Romeu e Julieta, de Shakespeare”, conta Emanuel. “Hamlet é o paradigma maior da dramaturgia, uma obra infinita. E como é um espetáculo aberto, toda sessão é diferente. Apresentamos a peça para os mais diferentes grupos – para crianças de 9 anos e para o público mais conhecedor do Festival, e a participação da plateia é totalmente decisiva para os rumos de cada espetáculo”.

A tragédia do príncipe da Dinamarca – que retorna ao reino para vingar a morte do pai, assassinado pelo próprio irmão, Claudio – é a mais longa das peças de Shakespeare. Hamlet busca a vingança enquanto questiona o sentido da vida e de suas ações. “O solilóquio mais famoso, o do ser ou não ser, tem uma continuação, que ignoramos ou desconhecemos”, conta Adriano Guimarães. “Ao To be or not to be, that’s the question se seguem dois pontos, que é onde a questão da peça realmente está. Construímos a peça a partir disso”.

O diretor lembra que o norte americano Harold Bloom, considerado o maior estudioso de Shakespeare de todos os tempos, escreveu um livro sobre a peça, Poema ilimitado. “Em determinado ponto, Bloom faz uma hipérbole, ao considerar Hamlet ‘maior’ do que Shakespeare, por assim dizer; o personagem não se conformaria em estar preso àquela obra”, conta Adriano. Emanuel Aragão – que, além de estar sozinho em cena, assina como dramaturgo – vai adiante na ideia de que Hamlet representa um marco, e não apenas no teatro: “Acho que está tudo lá, o pensamento moderno, a fundação da ideia do inconsciente. A cada leitura, a cada apresentação, descubro coisas que não sabia que estavam lá”.

COLETIVO IRMÃOS GUIMARÃES (Brasília/DF) – Adriano e Fernando Guimarães, desde 1989, constroem trabalhos em teatro, performance, artes visuais e dança. Ganharam o Prêmio Questão de Crítica 2012 de Melhor Elenco, com o espetáculo Nada – Uma Peça para Manoel de Barros, e o Prêmio Shell 1996 de Melhor Direção, com a peça Dorotéia. No teatro, dirigiram mais de 40 espetáculos e seus trabalhos com performance já foram apresentados no Brasil e no exterior. A importância da atuação do Coletivo pode ser pensada a partir da ressonância na cena cultural brasileira, medida pela construção de profícuas parcerias ao logo de sua trajetória, em projetos que contaram com a colaboração de Stanley Gontarski, Vera Holtz, Luiz Melo, Bárbara Heliodora, José Miguel Wisnik, Helena Katz, Fábio de Souza Andrade, Luiz Fernando Ramos, André Lepecki, Eleonora Fabião, Gerardo Mosquera, Daniela Bousso, Paulo Miyada, Cecília Salles, Gerd Bornheim e Ana Miguel – para citar alguns.

EMANUEL ARAGÃO (Rio de Janeiro/RJ) – É roteirista, dramaturgo, escritor, diretor de teatro e ator formado pela Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) , bacharel em Filosofia pela Universidade de Brasília e fotografia pela Escola Brasiliense de Fotografia. É um dos fundadores da Cia das Inutilezas, do Rio de Janeiro/RJ. Com uma trajetória de mais de 10 anos no teatro e no cinema, idealizou, realizou, escreveu e atuou diversas obras. É autor do livro Reflexões a Respeito do Vaso (Editora Confraria do Vento, 2011). Participou da Rio Art Occupation, residência Internacional realizada em Londres/Reino Unido (2012) e foi selecionado como dramaturgo para representar o Brasil na Ocupação Brasileira realizada na Feira do Livro de Frankfurt/Alemanha (2013). Recebeu o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cinema de Brasília (2010), pelo curta-metragem Só mais um filme de amor.

Ficha técnica

Dramaturgia: Emanuel Aragão

Direção: Adriano Guimarães / Fernando Guimarães

Elenco: Emanuel Aragão

Colaboração: Liliane Rovaris

Iluminação: Dalton Camargos / Sarah Salgado

Cenografia: Adriano Guimarães / Fernando Guimarães / Ismael Monticelli

Figurino: Ismael Monticelli / Liliane Rovaris –

Projeto Gráfico, site e fotografia: Ismael Monticelli

Direção técnica: Josenildo de Sousa

Assistência: Eduardo Jaime

Produção e administração: Quintal Producões | Veronica Prates

Assessoria de imprensa: Verbo Virtual Luciana Medeiros

Serviço

Estreia: 8 de janeiro (sexta-feira), às 20h

Temporada – até 28 de fevereiro, sempre de 5a a domingo, às 19h30.

Centro Cultural Banco do Brasil RJ

Rua Primeiro de Março, 66 – Centro, Rio de Janeiro/RJ

Teatro II

Lotação 156 lugares

Classificação indicativa 14 anos

Entrada: R$ 10 (meia-entrada: R$ 5 (sênior, estudante, cliente BB, cartão Metrô recarregável)