‘Herança de Sangue’

Protagonizado por Mel Gibson, longa é uma das estreias da próxima quinta-feira, dia 08.

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07 de setembro de 2016

Um dos maiores nomes do cinema mundial, Mel Gibson teve sua carreira prejudicada por escândalos de cunho pessoal, desde o divórcio de sua primeira esposa, Robyn Gibson, ao relacionamento conturbado com Oksana Grigorieva, passando por vídeos de bebedeiras e pelo fato de ser um católico fervoroso, o real motivo para a realização do polêmico “A Paixão de Cristo” (The Passion of the Christ – 2004), um de seus melhores trabalhos como diretor e produtor e que recentemente teve sua sequência confirmada. Preso no olho do furacão midiático, que lhe garantiu uma estadia na geladeira hollywoodiana, o astro perdeu parte do respeito e reconhecimento de outrora, o que se tornou um grande empecilho para manter-se no topo de Hollywood.

Mel Gibson e Erin Moriarty em cena.

Mel Gibson e Erin Moriarty em cena.

Numa tentativa de recuperar sua força numa indústria hipócrita e implacável, que sempre que possível varre escândalos pessoais de seus astros e estrelas para debaixo do tapete, uma lição aprendida durante a Era dos Estúdios, período em que tudo e todos eram controlados por poderosos engravatados, Mel Gibson voltou nos últimos anos ao gênero que lhe deu fama e que domina como poucos: o da ação. A partir da próxima quinta-feira, dia 08, o ator invade as salas de cinema brasileiras com um novo exemplar, “Herança de Sangue” (Blood Father – 2016), de Jean-François Richet.

Eternizado como Martin Riggs, o policial politicamente incorreto da franquia “Máquina Mortífera” (Lethal Weapon), iniciada em 1987, Mel Gibson demonstra maturidade e coragem ao viver um personagem cuja história apresenta pontos em comum com a sua própria biografia. Logo no início do filme, o personagem aparece numa reunião do AA, falando sobre a perda de pessoas queridas devido às suas atitudes e reclamando do fato de que ninguém o cumprimenta por manter-se sóbrio há dois anos, uma crítica direta ao modo como tem sido tratado pela indústria e também pela mídia. O mesmo ocorre ao mostrar um velho conhecido de Link (Gibson), comerciante de peças nazistas, algo que nos remete às acusações enfrentadas pelo ator, não apenas em decorrência de “A Paixão de Cristo”, como também de outras confusões criadas por ele.

A verdade é que Gibson é um ator versátil e carismático, capaz de ofuscar seus coadjuvantes e levar quaisquer produções nas costas, com um domínio de cena impressionante, mesmo em papeis que não fazem jus à sua filmografia. É exatamente isso que acontece com “Herança de Sangue”, que tem na atuação de Gibson sua verdadeira força motriz, uma vez que nenhum outro ator do elenco realiza um trabalho minimamente satisfatório, nem mesmo o veterano William H. Macy (Kirby), num personagem interessante, mas mal aproveitado.

O longa conta a história de Link, homem em liberdade condicional que não desiste de encontrar sua filha, Lydia (Erin Moriarty), desaparecida desde 2012. Trabalhando como tatuador no trailer em que vive na Califórnia, ele recebe um telefonema de socorro da jovem, encrencada com uma gangue barra pesada. E, para protegê-la, não mede esforços nem se preocupa com as consequências de seus atos.

Baseado na obra de Peter Craig, responsável pelo roteiro, ao lado de Andrea Berloff, o filme conta com um roteiro irregular e com muitas pontas soltas, inclusive sobre o desaparecimento de Lydia e o envolvimento de seu pai com uma turma igualmente barra pesada. Mais do que isso, peca ao apostar em situações clichês e totalmente previsíveis, que deixam a fragilidade da trama ainda mais evidente.

Mel Gibson.

Mel Gibson.

Com cenas de ação bem dirigidas e que não abusam dos efeitos especiais, “Herança de Sangue” consegue prender a atenção do espectador e funciona como uma espécie de acerto de contas de seu protagonista com uma indústria que não o perdoou completamente. Mais do que isso, é uma prova concreta de que Mel Gibson está se esforçando para reerguer sua carreira e que não deve ser subestimado, pois, apesar dos pesares, o ator é um “sobrevivente” em Hollywood, como ele mesmo afirmou no último final de semana, durante uma entrevista coletiva no Festival de Veneza, onde apresentou seu novo longa-metragem como diretor, “Hacksaw Ridge” (Idem – 2016), drama de guerra baseado em fatos reais, protagonizado por Andrew Garfield e que tem um de seus filhos, Milo Gibson, no elenco – o longa ainda não tem previsão de estreia no Brasil.


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