His House – O que ficou para trás

Um dos melhores filmes de terror do ano!

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03 de novembro de 2020

CACETADA! Desde já, UM DOS MELHORES FILMES DO ANOOOOOOOOOOOOOOOOOO:

“His House” de Remi Weekes já na #Netflix — Terror baseado na obra homônima de Felicity Evans e Toby Venables. É estrelado por minha nova ídola Wunmi Mosaku (Território Lovecraft), Sope Dirisu (Humans) e Matt Smith.

QUE FILMEEEEEEEEEEEEEE!

Melhor versão crítica sobre a Diáspora migratória para a Europa e sua fagocitose colonizadora que vejo em muitos anos. Casal protagonista impecável e mise-en-scène sofisticadíssima na construção do clima de terror dentro da casa. Quando a fantasma regula as “aparições” ao controlar o interruptor de luz e o que o protagonista “enxergava” e o que ele não enxergava entre o claro e o escuro é de uma analogia soberba com os verdadeiros terrores da vida real. Sem falar no uso bastante eficaz do duplo jump scare, provocando um falsete no primeiro susto que leva ao segundo susto real e bem mais profundo em relação ao extracampo político e a dívida histórico-cultural com os países africanos (no caso do filme, o Sudão).

As máscaras parecem de início uma reverência e homenagem ao novo cult “Nós” de Jordan Peele, mas não se encerram nele, até porque se ampliam em maquiagem e efeitos que almejam alvos ainda maiores plasticamente falando — não apenas pela beleza sombria, mas pelos significados culturais e religiosos de matrizes africanas. Além disso, vale citar que alguns efeitos em computação gráfica poderiam soar desnecessários, já que os efeitos mais artesanais estavam dando conta perfeitamente bem das situações criadas. Porém, como os recursos mais Artificiais são assumidamente restritos aos pesadelos e não à fronteira com a realidade, não atrapalha em nada a fruição do clima claustrofóbico construído ao longo da projeção.

Além disso, todo o jogo de paralelos e contrastes na iluminação, cenários e figurinos do filme entre a Londres cinzenta e a casa com suas reminiscências fantasmagóricas, trazidas da Diáspora africana, já demonstra que o verdadeiro perigo está lá fora e que os vivos podem ser assombrações da realidade ao negarem seus mortos e antepassados. Sem falar na terceira camada de fantasmas opressores do colonialismo, no caso, os próprios britânicos.

PS. Melhor uso de uma sala de estar numa pegada entre a assombração e a Maldição mística (apeth), sem falar numa atualização estética pro mito à la “As Criaturas Atrás das Paredes” (cult, inclusive, que Jordan Peele foi recém contratado pra refilmar)

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