Honeyland

Desequilíbrio no ecossistema

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22 de outubro de 2019

Que documentário belíssimo e personagem riquíssima de nuances e camadas na pele de Hatidze, no alto dos picos da Macedônia. Independente de uma narrativa ficcionalizada na montagem até com linguagem de cinema de gênero, “Honeyland” consegue tratar do microuniverso de uma apicultora para falar de todo um macrocosmos em crise sob o capitalismo predatório, pois quando o ecossistema é colocado em desequilíbrio podemos colocar em risco toda uma sociedade. Se as abelhas morrem, todo o planeta pode morrer.

E o que é a ‘performance’ de Hatidze por “Honeyland” de Tamara Kotevska que, à despeito de ser um documentário com roteiro ficcionalizado, e de Hatidze não ser uma atriz profissional, o que ela faz na tela é inigualável. A persona e a presença dela são química pura, e podemos chamá-la por designações mais modernas de “artista social”, até porque de fato esta incrível encantadora de abelhas tem muito a nos ensinar sobre a vida — abelhas comunistas maravilhosas, diga-se de passagem, pois existe uma regra na apicultura: deve-se pegar só metade do mel, e deixar o resto para as abelhas. — E se não aprendermos isso nem na marra, o desequilíbrio do ecossistema num caminho só de ida irá levar à destruição do planeta. Hatidze, neste sentido, é até uma super-heroína da vida real.

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