Infância, Tiros e Plumas

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16 de maio de 2015

É bastante impressionante o grau de qualidade alcançado pela força do conjunto do espetáculo “Infância, Plumas e Tiros” da Cia OmondÉ, produzido com apuro, pela Fábrica de Eventos. Em cartaz no Teatro Sesc Ginástico do Rio de Janeiro, desde o primeiro minuto, a encenação de Inez Viana, nos apresenta um sofisticado, inventivo e muito bem construído cenário de Mina Quental, uma potência sonora de Marcelo Alonso Neves, uma precisa direção de movimento de Dani Amorim, um sofisticado figurino de Flavio Souza e uma pontual luz de Renato Machado e Ana Luzia de Simoni. Uma aparentemente simples pista de pouso, e decolagem, de um aeroporto, já preenche a cena com intenso magnetismo e grande força imagética. A direção de Inez Viana é o grande trunfo do espetáculo. Contribuindo também para a qualidade do projeto, o trabalho de toda a equipe técnica, no desenvolvimento da cenografia, figurino, luz, direção de movimento, e som; que juntas, conseguem ser responsáveis, junto com a atuação, do ótimo conjunto alcançado na interpretação do elenco. A direção valoriza equanimente, todos estes setores, e desta maneira nos apresenta uma encenação bastante homogênea. A cenografia, de rara beleza, e um dos pontos altos do espetáculo, nos transporta para o ambiente de um aeroporto, e ao mesmo tempo, ao interior da primeira classe de um avião. Todas as ideias são de um ótimo achado criativo, ampliando assim o universo da cena.

Infância, Tiros e Plumas - foto © Cabéra - 4

Debora Lamm tem um dos melhores desempenhos de todo o espetáculo

Infância, Tiros e Plumas - foto © Cabéra - 2

O grande mérito de “Infância, Tiros e Plumas” está na força do conjunto técnico e artístico da Cia OmondÉ

Altamente bem ensaiada e muito precisa em todos os seus movimentos corporais, Inez é a responsável em transformar o texto de Jô Bilac – escrito em processo colaborativo com a Cia OmondÉ, com características de novelão melodramático -, em um delicioso espetáculo teatral. Ainda que se pese, a irregularidade do texto – que talvez esteja diretamente ligada ao processo do mesmo ter sido desenvolvido em conjunto com todo o elenco -, a ótima atuação dos atores, consegue driblar essa armadilha, e os altos e baixos, da carpintaria textual. No desenvolvimento do texto, a trama fica muito esquemática, repleta de informações, e assuntos, dividida entre o mundo ideal, e dos sonhos, “a Disneylândia”, ao mesmo tempo em que todas as personagens possuem problemas urgentíssimos à serem resolvidos, e não ficando muito clara a conexão da infância com todo o contexto apresentado. A infância não apresenta nenhuma força diferenciada a trama, onde tudo poderia acontecer em qualquer um dos contextos, sem a presença de “crianças” ou da temática infância. Todos, sem exceção, encontram-se em situações limite, em um “verdadeiro inferno”, em franca decadência humana: histeria, desequilíbrio, tráfico de órgãos, sequestro, complô para um assassinato, envenenamento, e traição, os levam para um desfecho trágico.

Infância, Tiros e Plumas - foto © Cabéra - 3

O belo cenário de Mina Quental colabora com o refinamento da montagem

Infância, Tiros e Plumas - foto © Cabéra - 1

Iano Salomão como Argos e Carolina Pismel como Suzaninha têm atuações bastante destacadas

No elenco podemos destacar a ótima atuação de Debora Lamm, no desenvolvimento da sua ótima personagem Marím, assim como a tão ótima personagem de Carolina Pismel como a ácida Suzaninha. Jefferson Schoroeder como o impagável Juanito, Juliane Bodini como a inescrupulosa Sângela e Iano Salomão como o policial Argos, apresentam também muita força, e bons momentos, nas suas personagens. Os outros atores, e personagens – Junior Dantas (Cheval), Luis Antonio Fortes (Junior), Zé Wendell (Pitil) e Leonardo Bricio (Henrique), se apresentam mais irregulares dentro de seus papéis na trama. Ora valorizando a pouca função dentro da trama, e ora não desenvolvendo bem o material que possui.

FICHA TÉCNICA

Texto:  Jô Bilac

Direção: Inez Viana

Direção de Produção: Cláudia Marques – Fábrica de Eventos

Elenco/Cia OmondÉ: Carolina Pismel/Lú Camy, Débora Lamm, Iano Salomão, Jefferson Schroeder, Juliane Bodini, Júnior Dantas, Leonardo Bricio, Luís Antônio Fortes e Zé Wendell

Cenário: Mina Quental

Figurino: Flavio Souza

Iluminação: Renato Machado

Direção Musical: Marcelo Alonso Neves

Direção de Movimento: Dani Amorim

Assistente de Direção: Marta Paret

Produtores Executivos: Rafael Faustini e Jéssica Santiago

Assistente de Produção: Maíra Zago

Programação Visual: Felipe Braga

Assessoria de Imprensa: Ney Motta

 

SERVIÇO

Local: Teatro SESC Ginástico. Av. Graça Aranha 187, Centro do RJ.

Tel. 2279-4027

Capacidade de público: 513 lugares

Estreia: 9 de abril, quinta-feira, às 20h.

Temporada: 10 de abril a 17 de maio. De quinta a domingo, às 19h.

Classificação indicativa: 14 anos

Duração: 80 minutos

Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 5,00 (associado Sesc)

Gênero: Drama no ar

Página do espetáculo: www.facebook.com/infanciatiroseplumas

 


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