Inocentes

Performance da Carnalidade

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20 de setembro de 2017

Após as polêmicas do dia anterior e debates acalorados, a segunda noite foi marcada por filmes performances, com “Inocentes” de Douglas Soares e “Pendular” de Julia Murat, sendo o primeiro inédito e o segundo ganhador do prêmio Fipresci no último Festival de Berlim.

Ambos foram recebidos com entusiasmo. Ambos trazem uma carnalidade muito grande em aflorar a típica sexualidade brasileira mais abertamente como o cinema não andava fazendo há um tempo, e em tempos de extremo conservadorismo e ideias retrogradas e até criminosas, como “cura gay” e criminalização mesmo das hipóteses de aborto previstos na Constituição Federal, isto ressoou fundo na plateia.

O filme “Inocentes” trata de trazer à vida os ensaios fotográficos sobre o erotismo voyer homoerótico de Alair Gomes, com uma estética em P&B que lembra o imagético pop de corpos masculinos perfeitos criados pelo grupo musical Pet Shop Boys em seus videoclipes da década de 80. Tudo misturado a uma dicotomia existencialista entre a cobiça da juventude eterna edo corpo perfeito e o medo da morte e da velhice, explorados por exemplo em alusão ao clássico “Morte em Veneza”, tanto o livro quanto a adaptação cinematográfica de Luchino Visconti.

Parte do debate com o diretor e produtores pode ser visto no link abaixo:

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=1846867371995072&id=325129114168913