Novidade dos Irmãos Coen, versão Netflix, chega ao BFI London Film Festival

Maior vitrine audiovisual do Reino Unido recebe o novo filme da oscarizada dupla de cineasta: o faroeste musical 'The Ballad of Buster Scruggs'

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12 de outubro de 2018

Ballad-of-Buster-Scruggs-700x300 faroeste em episódios dos irmãos Coen arranca gargalhadas no Lido mas não arrebata Veneza

Rodrigo Fonseca
Nesta sexta, Londres vai amanhecer na garupa dos irmãos Coen, marchando para o Oeste. Vai ter “A balada de Buster Scruggs” no BFI – London Film Festival, a maior vitrine da audiovisual contemporânea do Reino Unido: se o evento tem esse cacife, os filmes da Netflix não podem ficar de fora. Vai pra grade dela no dia 16. O N gigante do serviço de streaming abre a projeção deste western amalucado, que saiu coroado do Festival de Veneza com o Prêmio de Melhor Roteiro, mesmo sem ter sido uma unanimidade por lá, na terra das gôndolas.

Donos de um punhado de Oscars, de uma Palma de Ouro e de uma leva de troféus cinéfilos, conquistados por cults como “Onde os fracos não têm vez” (2007), “Fargo” (1996) e “Barton Fink” (1991), os irmãos Joel e Ethan sempre entram em um festival com uma aura de “já ganharam”. Não foi assim em Veneza com “The ballad of Buster Scruggs”, que chegou ao fim gerando um clima de frustração no Lido, mesmo com boas sacadas cômicas. Embora arranque frouxas gargalhadas, esta releitura “farofa” do Velho Oeste – idealizada para a Netflix com um formato em episódios – fica bem aquém da fina ironia da dupla de realizadores. O objetivo aqui é mais explorar deixas de desmitificação das cartilhas clássicas do Oeste do que fazer um bangue-bangue à altura de “Bravura indômita”, lançado por eles em 2010.

“O faroeste é um universo muito rico que comporta muitos gêneros em si, inclusive o musical, que a gente levou para este projeto em números de canto que dialogam com a tradição das aventuras de caubóis lendários das telas como Roy Rogers”, disse Joel Coen, que divide a narrativa em seis segmentos. “Tem até elementos de spaghetti”.

Na referência ao Oeste à moda Sergio Leone, Ethan se escora no segmento estrelado pelo sempre ótimo James Franco, vivendo um pistoleiro. Tim Blake Nelson estrela o primeiro, na pele do ás do gatilho (e cantor) Buster Scruggs. Os demais alternam entre piadinhas fugazes e palavrórios sem muita reflexão. O melhor dos episódios é o que trás o cantor Tom Waits na pele de um garimpeiro. É, no todo, um filme divertido, fotografado com exuberância por Bruno Delbonnel, e nada mais que justifique sua presença em concurso – fora o nome dos diretores.

Neste sábado, o BFI London Film Festival recebe um provável concorrente ao Oscar 2019: o esperado “Beautiful boy”. Importado do Festival de Toronto, o novo longa-metragem do belga Felix Van Groeningen (de “Alabama Monroe”) aposta na química entre Steve Carell (“O virgem de 40 anos”) e o jovem Timothée Chalamet, o destaque do badalado “Me chame pelo seu nome” (2017). Eles vivem pai e filho neste folhetim sobre dependência química. No mesmo dia rola o desenho animado “Mirai”, de Mamoru Hosoda, um dos títulos mais elogiados de Cannes este ano, revelado lá na Quinzena dos Realizadores.

"Lazzaro felice", concorrente da Itália

“Lazzaro felice”, concorrente da Itália

Tem premiação por aqui também: o BFI deu a largada para sua mostra competitiva, com a projeção da prata da casa, ou seja, um título inglês. O escolhido foi “Happy New Year, Colin Burstead”, no qual o diretor Ben Wheatley fala de um conflito familiar entre irmãos. Concorrem ainda este ano no evento as ficções “Pájaros de Verano”, de Cristiana Gallego e Ciro Guerra (Colômbia); “Destroyer”, de Karyn Kusama (EUA); “Lazzaro Felice”, de Alice Rohrwacher (Itália); “In fabric”, de Peter Strickland (Reino Unido); “Shadow”, do mestre Zhang Yimou (China); “Joy”, de Sudabeh Mortezai (Austria); “Tarde para morir joven”, de Dominga Sotomayor (do Chile, mas  produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira); “Sunset”, de László Nemes (Hungria); e o badalado “The old man & the gun”, de David Lowery (EUA), que tem Robert Redford, em vias de aposentadoria, como seu protagonista (um ladrão de bancos).

Para encerrar suas atividades, o BFI exibe, no dia 21, o esperado “Stan & Ollie”, com John C. Reilly e Steve Coogan encarnando O Gordo e O Magro, sob a direção de Jon S. Baird, numa comédia dramática baseada nas memórias da dupla que levou gerações às gargalhadas entre o fim dos anos 1920 e 1951. É uma aposta para o Oscar.