Irmãs

Química de Tina Fey e Amy Poehler, construída ao longo de muitos anos entre elas e com seu público

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21 de janeiro de 2016

Existe uma espécie de subgênero da comédia em que um grupo de “underdogs” se reúne para fazer uma festa de despedida, normalmente em um momento de grande transição na vida. Vez ou outra, há um interesse romântico do protagonista, que se confunde com um desejo sexual reprimido. Cada personagem tenta fugir de seu esteriótipo, ao menos por uma noite, na qual o nerd tenta ser mais descolado, o “bad boy” tenta ser mais sensível e assim por diante. Eventualmente essa festa perde o controle e acaba se tornando algo muito maior do que todos imaginavam.

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As situações de comédia ocorrem, antes da festa, com o choque das personalidades antagônicas e, durante a festa, com essas personalidades enfrentando situações fora do comum. O uso da palavra “personalidade” ao invés da palavra “personagem” é intencional, já que cada um desses personagens representa um traço da personalidade humana de forma exponenciada. Esses filmes são, em sua maioria, protagonizados por adolescentes e esse subgênero acabou recebendo a alcunha informal de “comédias adolescente”.

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A grande subversão de Irmãs (Sisters) é colocar um elenco bem mais velho para protagonizar esse arco dramático. Amy Poehler e Tina Fey (famosa dupla consagrada no SNL) são duas irmãs com personalidades diferentes. Enquanto a primeira é uma mulher correta e pragmática, com toda a sua vida sob controle mas incapaz de se divertir, a segunda é uma mulher inconsequente, incapaz de ter o mínimo de organização. Depois de anos, ambas precisam se reencontrar na casa onde cresceram e que será vendida. Resolvem, então, fazer uma festa de despedida da casa, onde decidem trocar os papeis por uma noite. O filme conta ainda com Ike Barinholtz como um possível interesse romântico das irmãs e com Maya Rudolph (outra ex-integrante do SNL) como a amiga invejosa.

Quando se lê essa crítica até esse ponto e após assistir o trailer, é natural uma espécie de desconfiança. Mas essa desconfiança vai embora nos primeiros minutos do filme, quando observamos que a história contada pelo diretor Jason Moore e pela roteirista Paula Pell (também do SNL) evolui de forma gradual, costurando pequenos ganchos pouco a pouco, de modo tornar toda anarquia da festa em algo crível.

A mistura de humor com algumas situações dramáticas é feita com uma sensibilidade maior que a maioria das comédias românticas, encontrando ainda espaço para alguns simbolismos, como o uso do relógio em referência alegórica à passagem da vida.

Mas o maior trunfo do filme acaba sendo, de longe, a química entre Tina Fey e Amy Poehler. Com diversos trabalhos juntas, as duas convencem como irmãs, mesmo sendo fisicamente bem diferentes. A cada olhar, salta da tela uma parceria construída ao longo de muitos anos, não só entre elas, mas com seu público. Essa sintonia dificilmente será alcançada por outro das chamadas “comédias adolescentes” e acaba tornando o filme um  entretenimento acima da média.

Irmãs (Sisters)

EUA, 2015. 118 min.

De  Jason Moore

Com Tina Fey, Amy Poehler, Maya Rudolph


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