Isto não é uma análise meramente fílmica, e sim uma análise Sexual de “Capitão América: Guerra Civil”

De Complexo de Édipo a Coito interrompido na orgia de super-heróis

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03 de junho de 2016

Sim, oras, sexo vende. E sim, pela psicanálise, algumas lutas ou guerras são travadas por tensões sexuais mal resolvidas. E há uma boa porção aqui em “Guerra Civil”.
Alguns dos receios dos fãs para esta sequência de Capitão America era que virasse um filme dos Vingadores ou que desvirtuasse a saga original. Até porque “Vingadores: Era de Ultron” já começava a escorregar na banana devido ao excesso dispersivo de personagens e cenas escalafobéticas sem personalidade. Graças a Deus eles deram uns passinhos pra trás na pretensão e voltaram ao intimismo autoral com “Homem-Formiga”.

13103529_10204849388194312_8122255367126982483_nEis que, para continuar o excelente tema de paranóia e conspiração política (reflexos do mundo atual) no irretocável 2o “Capitão América: O Soldado Invernal”, onde o limiar do bem ou mal está enevoado, eis que eleva a uma nova potência onde a ameaça vira contrapor os próprios heróis uns contra os outros. Cada um deles tem poderes equivalentes a uma ogiva nuclear (olha a explosão do desejo aí…rs) e será que seria o certo precisar controlá-los e restringí-los à responsabilização da vontade do todo ao invés da liberdade das vontades individuais? (Olha o coito interrompido de seus poderes e a restrição à pulsão de vida).
Então vamos voltar a falar sobre sexo.

Há muitas conotações sexuais no filme. Claro, como há na maioria dos blockbusters. Mas aqui de fato estas conotações interessam para a história. O desejo castrado. Sim, numa conotação literal, há muitos casais na Marvel, inclusive nos personagens das HQs e suas adaptações. Nas HQs, Capitão já pegou geral. A diva Viúva Negra já pegou geral e, como o nome já diz, não pertence a ninguém. Gavião já pegou geral. Feiticeira Escarlate é/foi casada com Visão. E algumas destas tensões até estão ali…
Mas não são estas que interessa tanto.

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Em 1o lugar interessa e muito que o vilão do filme não é o vilão normal, no caso, uma utilização das mais felizes na história do cinema de um vilão sutil, propositalmente anticlimático e nada explosivo. A vilã real é a tensão sexual reprimida, e como os heróis sabem ou não lidar com ela uns contra os outros. Tanto que a cena mais esperada é a orgia do trailer, de todos contra todos. Quais são suas razões? Não importa, porque eles irão enfim fruir e gozar de seus poderes uns sobre os outros, com inúmeras piadinhas de duplo sentido.
Não à toa, a maioria dos heróis possui nome animal, aludindo a instintos primitivos da natureza, como marcar território, caçar e procriar. Como o leve flerte de um acertado Pantera Negra com a Viúva, que perpassa o mote de seu personagem em assumir o trono de sua Nação e marcar território como Rei e macho alfa.
Porém a relação mais interessante de fato é a tensão mal resolvida e homofraternal entre Capitão e o Soldado Invernal/Bucky, ambos outrora descongelados de um sono em criogenia, de desejo reprimido, de memória/afetos apagados, e resgate de identidade que penetra uma na do outro, constantemente. Um amálgama. Sendo o signo de representatividade de Bucky o braço metálico, o falo, e do Capitão o escudo, o vaso, símbolos ‘Yung-ianos’ de sexualidade masculina e feminina, respectivamente. O Escudo era o feminino na Antiguidade desde a Deusa Atena, ao escudo que derrota Medusa com seu próprio reflexo (o ponto fraco narcisístico que nenhum homem poderia derrotar). E no meio da tensão dos dois, eis que surge o macho alfa mor, o cofundador, o inventor expansivo da maioria das reproduções de seu ego, como as armaduras, o Visão e etc: o Homem de Ferro.
Aqui Tony Stark é expandido e ganha um complexo edipiano de desejo freudiano recalcado na perda da mãe e rejeição do pai. Ele será o coito interrompido entre todos os outros.
No meio desta briga ainda brilham outros 2 heróis ultra sexualizados: o Homem-Aranha mais púbere já visto na telona, transbordando em hormônios ao gozar com sua teia sobre todo mundo, e com uma tia May com síndrome incestuosa de rejuvenescer a cada filme, aqui na gatíssima Marisa Tomei.
E um Homem-Formiga que igualmente sabe sarrear, representando a dicotomia máxima da neurose entre o falo pequeno e o grande, pois ele muda de tamanho a bel prazer, e quando está do tamanho de uma formiga pode penetrar em todos os outros personagens.
Ou seja, um filme que perigava se tornar mais um Vingadores dispersivo como Ultron, acaba focando não no vilão e sim no perigo que até o bem pode trazer (pulsão de morte – liberdades/desejos reprimidas) e o faz exemplarmente como numa sessão de terapia que engrandece cada neurose e recalque natural dos personagens, potencializados numa ereção ao mesmo tempo contida como orgástica.
Ponto pra Marvel.