Itália marca três primeiros gols na Berlinale

Favorito ao Urso de Ouro, o documentário 'Fuocoammare' faz a festa nas premiações paralelas do festival alemão

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20 de fevereiro de 2016

Itália vive momentos de glória cinematográfica na Berlinale, afinada com o debate sobre a exclusão política que serviu de combustível ao evento nos últimos 11 dias. Toda a torcida em torno do o documentário italiano Fuocoammare na disputa pelo Urso de Ouro 2016 – que será entregue esta noite – já deu seus primeiros frutos nas horas finais do 66º Festival de Berlim. Nesta tarde, o longa-metragem do diretor Gianfranco Rosi sobre a realidade da Ilha de Lampedusa, um porto de entrada para refugiados africanos na Europa, conquistou os prêmios da Anistia Internacional, do Júri Ecumênico e do Júri de Leitores do jornal Berliner MorgenPost.

Merece tanta badalação? Sem dúvida.

Nascido na Eritreia, na África, sob nacionalidade italiana, o diretor Gianfranco Rosi veio aqui já com o prestígio em alta, por conta do respeito que conquistou mundialmente após receber o Leão de Ouro, em Veneza, em 2013, por Sacro GRA. Mas sua respeitabilidade tende a aumentar em função do debate que seu novo longa inflamou em território germânico. E não é só por estar antenado com uma discussão oportuna: é um trabalho de estrutura narrativa arrebatadora. É poema e denúncia.

"Fuocoammare", de Gianfranco Rosi: denúncia.doc

“Fuocoammare”, de Gianfranco Rosi: denúncia.doc

Respeitado mundialmente desde o Oscar recebido por Terra de Ninguém (2001), o bósnio Danis Tanovic ganhou o prêmio da Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica (Fipresci) por Death in Sarajevo, cujo roteiro (primoroso) se concentra todo em hotel no dia do centenário do assassinato que deflagrou a I Guerra Mundial. E o drama alemão 24 Weeks, de Anne Zohra Berrached, ganhou o prêmio do Sindicato dos Cinemas de Arte da Alemanha, ao narrar o dilema de uma comediante às voltas com uma gravidez de risco.  

No júri da seção Panorama, os três vencedores dos prêmios de júri popular foram o israelense Junction 48, de Udi Aloni; o alemão Fukushima, Mon Amour, de Doris Dörrie; e o sul-africano Shepherds and Butchers, de Oliver Schmitz, que já está cercado de uma campanha para o Oscar de 2017 (!) pelo desempenho magistral do ator Steve Coogan como um advogado em luta contra a pena de morte.

Conhecido como comediante, Steve Coogan vai às raias do trágico em "Shepherds and Butchers"

Conhecido como comediante, Steve Coogan vai às raias do trágico em “Shepherds and Butchers”

Nossa aposta para esta noite seria:

"The Commune", de Thomas Vinterberg, foi o filme mais aplaudido de todo o festival

“The Commune”, de Thomas Vinterberg, foi o filme mais aplaudido de todo o festival

Urso de Ouro: The Commune, de Thomas Vinterberg;

Grande Prêmio do Júri: Fuocoammare, de Gianfranco Rosi;

Troféu Alfred Bauer de Inovação de Linguagem: A Lullaby to the Sorrowful Mystery, de Lav Diaz;

Direção: Tomasz Wasilewski, por The United States of Love;

Atriz: Julia Jentsch, por 24 Weeks;

Ator: Brendan Gleeson, por Alone in Berlin;

Roteiro: Danis Tanovic por Death in Sarajevo;

Contribuição Artística: Cartas da Guerra, de Ivo M. Ferreira, pela fotografia

Curta-metragem: Das Águas Que Passam, de Diego Zon

Mas quem vai decidir é a atriz Meryl Streep, presidente do júri. Que bom! Mas fizemos nossa parte e temos nossa torcida.