Já Estou Com Saudades

Toni Collette prova a grande atriz que é mesmo em filme menor

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20 de janeiro de 2016

É inevitável a comparação de “Ja Estou Com Saudades” (“Miss You Already”) de  Catherine Hardwicke com “A Culpa é das Estrelas”. Isso porque quando a adaptação de uma história sobre temas específicos dá certo, Hollywood adora repeti-los ad infinitum. E a trama sobre um amor que precisa enfrentar o câncer já teve outras épocas de glória no cinema também, independente da relação em foco, seja amorosa, familiar ou fraternal, como “Amigas Para Sempre/Peaches”, “Lado a Lado” ou “Flores de Aço”. Eis que a diretora do cult “Aos Treze” e do primeiro filme.da saga “Crepúsculo” decidiu juntar o útil ao agradável e realizar um drama sobre amizade e câncer de um ponto de vista jovial e moderno, mas, diferente de “A Culpa é das Estrelas”, desta vez com adultos. Aliás adultos estes que ainda agem como adolescentes. Daí seria evidente a escalação da eterna namoradinha de Hollywood Drew Barrymore e… E quase já daria para se prever o tipo de filme que este seria caso a outra protagonista não fosse escalada como a excelente Toni Collette.

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O que seria uma dramédia com pequenos toques às vezes forçados de humor, mesmo que humor negro, acaba ganhando uma sobrevida por causa da maturidade artística com que Collette se entrega de corpo e alma à sua personagem que obviamente será aquela a contrair câncer e botar à prova a amizade. Uma atriz de mão cheia, rouba naturalmente todas as cenas de Drew, a qual parece mais.uma coadjuvante menor e insignificante e destoa da proposta do filme. Não é culpa dela, afinal, a própria diretora não parece decidir a tempo se fará um filme leve ou pesado, engraçadinho ou triste, e não alcança nem um nem outro. É Collette que segura as rédeas de suas cenas com tanto aproveitamento que faz todo o resto parecer equivocado perante seus acertos. Especialmente a indecisão visual também, que ora parece intencionalmente quase documental, e ora se transforma em uma montagem rápida e colorida de sitcom, só pra desaguar de novo em tons cinzas e esmaecidos pra lembrar que o filme retrata o câncer. Faltou maturidade à autora e propostas melhores para a grande atriz que Collette é.

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Avaliação Filippo Pitanga

Nota 2