Jogada de Mestre

Filme sobre sequestro do empresário cervejeiro Alfred Heineken não empolga como poderia

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31 de julho de 2015

Diversas histórias reais de sequestro já foram reproduzidas pelo cinema, a exemplo de “A Troca”, “Fargo”, “O Sequestro de Patty Heart”, “Um Crime Americano”, “3096”, “Capitão Philipps” e o nacional “Última Parada 174”. Em 2011, o sequestro do empresário cervejeiro Alfred Heineken, ocorrido em 1983, foi retratado sem compromisso com a total realidade dos fatos no longa “O Sequestro de Heineken”, de Maarten Treurniet. Numa segunda versão dirigida por Daniel Alfredson (partes II e III da Trilogia Millennium – “A Menina que Brincava com Fogo” e “A Rainha do Castelo de Ar”), o sequestro do empresário é retratado de maneira mais fiel ao que realmente aconteceu no ano supracitado. Intitulado “Jogada de Mestre”, o filme apresenta todas as etapas do crime, desde a sua concepção até a prisão dos responsáveis, incluindo o cativeiro de três semanas de Heineken (Anthony Hopkins) e de seu motorista, Ab Doderer (David Dencik).

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Baseado no livro “The Kidnapping of Alfred Heineken”, escrito pelo jornalista Peter Rudolf de Vries, que cobriu o caso do sequestro do magnata para o jornal The Telegraaf, o longa se concentra em mostrar os bastidores do episódio encabeçado por Cor Van Hout (Jim Sturgess) e Willem Holleeder (Sam Worthington), entrevistados por Vries em 1986. A trama se inicia na noite de réveillon com o grupo de amigos desejando um próximo ano melhor para todos, que em péssima situação financeira, acabam por aceitar a ideia mirabolante de Holleeder, originada numa vingança pessoal contra Heineken pela demissão de seu pai da fábrica de cerveja. O roteiro escrito por William Brookfield (“Hipnose”, “Viagem Mágica”) procura gerar certa empatia pelos cinco sequestradores no espectador ao mostrar a difícil condição em que vivem e que são pessoas comuns que apenas desejam realizar seus sonhos; mas para por aí. Os personagens não são tão bem desenvolvidos, assim como o jogo psicológico entre eles e Heineken, que tinha potencial para ser muito mais interessante. A narrativa do ambicioso crime, que resultou na maior quantia já paga pelo resgate de uma pessoa (35 milhões de guilders holandeses, aproximadamente 21 milhões de dólares), é vítima de um suspense morno. O ponto alto de “Kidnapping Mr. Heineken” (no original) reside em sua fotografia granulada, que nos remete diretamente aos anos 80, época em que ocorre o delito.

Anthony Hopkins, que dá vida ao grande homem de negócios, não possui um grande papel neste enredo, mas seu indiscutível talento dramático é proeminente em cada curta aparição na tela – nunca se viu um sequestrado tão sereno no cinema. É ele que executa uma das cenas mais marcantes do filme, em que dá um sábio conselho a um de seus jovens sequestradores: “Existem duas maneiras de ser rico: tendo muito dinheiro ou tendo muitos amigos. Nunca os dois”. Jim Sturgess entrega um Van Hout bastante competente, enquanto o restante do elenco apresenta somente interpretações corretas. “Jogada de Mestre” está longe de ser um filme inesquecível, porém cumpre bem com seu propósito de entreter e reconstituir a história real do sequestro de Heineken.

 

 

Jogada de Mestre (Kidnapping Mr. Heineken)

Reino Unido/Bélgica/Holanda – 2015. 95 minutos.

Direção: Daniel Alfredson

Com: Anthony Hopkins, Jim Sturgess, Sam Worthington, Ryan Kwanten, Mark van Eeuwen, David Dencik e Thomas Cocquerel.


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